A luz em Seattle insiste em brilhar!

Por: Rodolpho Gonçalves

 

Como bom torcedor do Seahawks desde aproximadamente 2002, já testemunhei a ascensão e declínio do time e de várias franquias por anos e tenho propriedade para dizer que estamos vivendo a “meia-vida” da atual geração.

Pete Carroll e John Schneider chegaram ao Seahawks ao fim de uma passagem terrível de Jim Mora como head coach, e uma administração indecente, para dizer o mínimo, de Tim Ruskell. Após um recorde de 5-11 em 2009, o novo staff foi formado. Logo no primeiro ano notou-se que uma franquia forte estava nascendo.

Com um draft recheado de bons nomes, e uma free agency calculada, Carroll e Schneider começaram a montar o que em apenas 2/3 anos entraria para a lista das melhores defesas da história da NFL. Earl Thomas, Kam Chancellor, Richard Sherman, Bob Wagner, entre outros, chegaram e causaram uma revolução em áreas em que Seattle tinha grande carência. A franquia estava literalmente aos cacos e em pouco tempo a nova staff mudou o paradigma do time.

Com uma campanha forte e chegando como azarão, Seattle atropelou o possível melhor ataque da história da liga, comandado por Peyton Manning. Aquele Denver Broncos era temido, tinha média estrondosa de pontos por jogo e acreditava-se que jamais Seattle o venceria. Chegou a mais uma final no ano seguinte e teve uma derrota fatídica para o grande time do New England Patriots, que contou com a ajuda de uma das chamadas mais contestadas da história da NFL.

Basicamente essa é a história que eu vivi durante 15 anos acompanhando o Seahawks entre idas e vindas. Seattle é uma franquia que sempre é subestimada por suas derrotas estranhas toda temporada, mas sempre chega forte nos momentos decisivos.

Nas últimas duas temporadas, temos visto um time que preocupa por sua falta de consistência no ataque. Com um QB extremamente talentoso, a equipe negligenciou sua carência de jogadores talentosos de linha ofensiva, mesmo gastando recursos no draft todos os anos. Os nomes que chegaram não eram unanimidade entre os scouts e especialistas. A consequência? Um ataque que tem recebedores talentosos e versáteis, mas um QB que sofre todo jogo escapando de sacks por sua linha ofensiva frágil e RBs que sofrem tanto contato que como consequência não conseguem ficar saudáveis.

A poderosa secundária, temida por vários anos, já sente o desgaste do tempo e de seu estilo de jogo agressivo. Quem não vibrava com os “big hits” de Chancellor e Earl Thomas? Com temporadas de várias interceptações de Richard Sherman, que já não era mais alvo dos quarterbacks. Essa equipe, como já mencionei, está em “meia-vida”.

A defesa ganhou gás novo. Jarran Reed, Naz Jones, McDowell, apesar da inconsistência nos últimos dois jogos o jovem Shaquill Griffin, o desprezado Coleman no Patriots vindo em uma troca e se postando bem, McDougald sendo forte quando necessário. Esse é o Seahawks, uma franquia que em meio as dúvidas se reconstrói, que se remonta, que usa os galhos fortes e alça voos altos. Essa é a franquia que te dá ataque cardíaco a cada semana, que te faz cada vez mais apaixonado pelo esporte, que tem Sherman, Chancellor, Bennett, Richardson, Baldwin, Graham, Russell Wilson, Dueane Brown, Earl Thomas, Bob Wagner, KJ Wright, Paul Richardson, Tyler Lockett, Cliff Avrill – o veterano de 37 anos que joga como se tivesse 20, Dwight Freeney e um general manager que sabe o que faz.

Perder para um time arrasado por lesões doí? Doí, mas aprendi ao longo dos anos que na NFL você nunca subestima qualquer equipe, todo jogo é uma final, todo jogo é vida ou morte e não é uma partida perdida por pequenos detalhes que fará nosso sonho desaparecer.

Verdadeiros campeões não são aqueles que vencem sempre. Campeões são aqueles que apreendem com suas derrotas e se tornam mais fortes. Torcer para Seahawks é acreditar que 1 segundo no relógio pode virar uma partida.

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