Análise pós-jogo: Seahawks x Falcons

Aceitar uma derrota é sempre uma tarefa difícil. Entendê-la é uma tarefa ainda mais árdua. Quando paramos para analisar friamente a derrota para a franquia de Atlanta, vemos que este é um daqueles jogos em que perdemos para nós mesmos. Atlanta teve sim seus méritos, mas aqui estamos para ver além do field goal errado por Blair Walsh ou apenas dizer que perdemos para um time superior ao nosso.

 

Wilson-dependência

Antes do início da partida, em horário nobre, vimos o debate se propagar entre os fãs da NFL: Russell Wilson é candidato ao prêmio de MVP? Da maneira mais fria possível, a resposta é única e exclusivamente sim. Não estou querendo dizer que ele será o ganhador do prêmio, mas que nosso QB, neste momento, é sim um dos concorrentes. E isto pode estar sendo prejudicial ao time. Somando corridos e passados, Wilson entrou na semana 11 responsável por 21 dos 22 TDs do time na temporada e 85% das jardas ofensivas conquistadas pelo time.

 

Jogo corrido abandonado

Momentos pré-jogo, a lista de jogadores inativos para a partida foi liberada, e entre os nomes encontramos Thomas Rawls, que até algumas rodadas atrás era tido como nosso RB1. E quem sobrou? Eddie Lacy (que tem média de 2,5 jardas por carregada), JD McKissic (que em algum momento da temporada era o RB6) e Mike Davis (recém-promovido do PS).

 

O jogo

Kickoff, e o Atlanta Falcons já se encontra no meio do campo. Nosso CB2 sofre uma concussão na segunda jogada da partida, cedemos quase 30 jardas numa interferência de passe e depois disso não é difícil para ob Falcons colocar 7 pontos de vantagem no placar. Em noite inspirada, Tyler Lockett, com um retorno de 60 jardas e uma recepção pra 9, nos deixa numa 2&1 na linha de 31 do campo ofensivo. Do outro lado da bola, temos a 5ª pior defesa contra corrida da liga. FB e TE de bloqueio em campo, Wilson under center,  CBs mostrando marcação individual em seus respectivos WRs, 8 homens no box, FS isolado no fundo do campo e tínhamos a situação ideal para espantar todos os males com uma corrida pelo lado direito pra conquista da primeira descida. Mas não, os pontos apresentados nos parágrafos de abertura deste texto entram em ação e não permitem o nosso sucesso na jogada. Na verdade esta corrida ideal nem é executada. Wilson recebe a bola, faz um play action, fixa o olhar novamente em Lockett, que executa uma rota in (corte para o meio do campo por trás dos LBs e em direção à sideline contrária), cria uma vantagem de 5 jardas para o seu marcador e aguarda o passe. Wilson, com um pequeno atraso, solta a bola. Este atraso na execução do passe é crucial, a bola vai muito atrás de Lockett e é interceptada e retornada em campo aberto até nosso campo defensivo por Desmond Trufant. Ali, com 7 minutos de jogo, ¾ da secundária reserva e não segurando interceptação na goal line e nenhuma confiança, já perdíamos por 14 a zero.

 

Falta de confiança no kicker

Chegamos ao final do segundo quarto. 4ª descida para UMA jarda com 7 segundos no relógio e 1 timeout. Seria um FG tranquilo que cortaria a diferença para apenas 4 pontos, e com o Seahawks recebendo a bola após o intervalo. Atento aos detalhes e esperançoso, Pete Carroll resolve chamar um fake FG. Ao invés de segurar a bola para o chute, o Holder fez um passe simples para o TE que cruzaria o campo até a endzone adversária. Mas, no mundo ideal, alguns minutos antes, Blair Walsh não teria acertado seu segundo XP no jogo na trave direita. Mesmo que a bola tenha entrado após tocar a trave. Ali no FG, numa situação bem parecida com a do XP anteriormente chutado na trave, Pete Carroll decide não colocar seu kicker no fogo e assume toda a culpa da catástrofe.

One Reply to “Análise pós-jogo: Seahawks x Falcons”

  1. Victor Plutarco says: Responder

    Análise perfeita!! Esse rapaz é muito bom. Não gosto desse termo, mas a tal da “Wilson-dependência” é um fato. Temos que procurar maneiras de dar alternativas ao time.

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