Escopo do Cap de Seattle

Como já havíamos reportado no início da temporada, Seattle teria decisões difíceis a tomar em relação ao cap space. Com base em várias informações que Evan, do Hawkblogger, havia dado, sabíamos que a situação requereria “sacrifícios”.

A situação do cap atual não é nada confortável, mas existem alguns movimentos, ainda que impopulares, que podem aliviar a situação da franquia.

Primeiramente é necessário pontuar que a estimativa do teto da NFL este ano deve girar entre U$ 178M e U$180M. Segundo o OverTheCap, Seattle tem, com o fim da temporada, um cap de aproximadamente U$ 14M. Deste valor ainda devem ser debitados os gastos com Draft, injury reserv, practice squad e dead money (Dinheiro garantido de eventuais cortes).

O que deve ser feito?

A maior parte do cap da franquia está alocado na defesa. Com essa priorização o ataque sofre com menos recursos para reforços e por isso tem desempenho nada satisfatório.

Obviamente alguns cortes devem ser feitos, mas sempre é necessário observar a situação contratual (o quanto de dinheiro liberaria com corte/troca, quanto dinheiro garantido há no contrato, desempenho etc). Tendo essa condição em mente, temos que olhar quais são os candidatos mais óbvios no roster para esses procedimentos.

O primeiro nome a se destacar é o de Jeremy Lane. Lane entra na temporada 2018 com um cap hit de aproximadamente U$ 7.2M, sendo o 11º mais bem pago da franquia. Com base nas informações que alguns sites oferecem (Spotrac e OverTheCap), o corte de Jeremy Lane pode gerar um aumento de U$4.750M no cap da Franquia e um dead money de U$2.5M.

Quando olhamos o custo benefício dessa transação, percebemos que Lane está em um hot sit e não deve ficar em Seattle para a próxima temporada. O desempenho dentro de campo e o retorno financeiro do corte, devem fazer com que ele seja o primeiro alvo da offseason.

O próximo corte não é um dos meus favoritos. Amo o jogador e tudo o que ele construiu durante sua passagem por aqui, mas Cliff Avrill vive um momento delicado, já que a lesão no pescoço pode ser uma career end injury. Basicamente a situação de Avrill tem duas vertentes:

– Avrill decide se aposentar: Caso tome esta decisão, pelo artigo 45, seção 2 da CBA (é tipo um mediador entre os atletas com alguma situação de contrato e os donos das franquias), Avrill tem direito a receber um valor aproximado de U$ 1.150M. Com salário base de U$7.6M em 2018, isso seria uma economia de aproximadamente U$6.5M;

– Avrill decide continuar jogando, e Seattle o corta: A segunda vertente é mais benéfica para a franquia em termos de rendimento financeiro, mas deixa um grande atleta com menos garantia em mãos. Como já citado, Avrill tem um salário base de U$7.6M e caso Seattle decida cortá-lo, a economia no cap é de U$7.1M, já que em seu último ano de contrato, Avrill tem direito a apenas U$500 Mil.

Como já dito, Avrill foi peça fundamental em um dos momentos mais importantes da franquia, a conquista do Super Bowl e a ida em outro no ano posterior, mas Seattle encontra-se com a saúde financeira delicada, e como diz o ditado: “não se pode fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos”.

Outro jogador com situação similar à de Avrill é Kam Chancellor. Jogador querido por grande parte da torcida, se não por todos, o jogador teve uma lesão no pescoço que também pode impossibilitá-lo de voltar a atuar na NFL. Com um contrato bem mais desvantajoso para Seattle, já que renovou a pouco tempo, a franquia terá que se movimentar rápido para resolver a situação de um dos membros mais importantes de sua secundária. Isso porque Seattle tem até o dia 9 de fevereiro para decidir cortar ou manter o jogador no roster, já que a partir desta data seu salário base de U$6.8M se tornará 100% garantido e cortá-lo se tornará uma tarefa muito mais difícil. O cap hit de Chancellor é de aproximadamente U$9.6M, podendo chegar a U$12M com os incentivos contratuais.

Tentei achar mais informações do contrato e o quanto poderia ser salvo, mas os números quase sempre são desencontrados, assim como as informações, então prefiro aguardar para ver qual decisão a franquia tomará.

Richard Sherman também deve ser avaliado nessa lista (como eu disse, decisões impopulares). Sherman vem de uma lesão no tendão de Aquiles e de um procedimento cirúrgico na outra perna para uma “limpeza” não especificada.

O jogador está em seu último ano de contrato e vem de uma lesão complicada, mas tem um salário base de U$13M. Com o corte ou troca, Seattle salvaria U$11M em cap space, esta quantia é absurdamente alta.

Outra opção, que eu acho muito improvável por parte do jogador, é a reestruturação do contrato. Como já dito, Sherman está no último ano de contrato e algumas vezes já fez juras de amor pela franquia (o que sabemos que pode ter se desgastado na última offseason com os rumores de que ele poderia ser trocado), e caso sejam verdadeiras, a renovação pode  feita visando diminuir o cap hit em 2018, que é de U$13M, e jogando boa parte desse dinheiro para anos futuros, além de elevar o dinheiro garantido do contrato, que é de apenas U$2.2M.

A negociação em si é complexa e haveria necessidade de ambas partes cederem um pouco para que, no fim, todos saíssem bem. Acredito que possa ser uma solução boa para todos, ou então, talvez vejamos Sherman vestindo outras cores em 2018.

Outro grande nome que está nessa lista, muito pela facilidade de corte e a quantidade de dinheiro que abriria no cap, é Earl Thomas III. Thomas declarou abertamente que não jogará a próxima temporada se não lhe pagarem o que acha merecido. O jogador tem hoje um contrato de U$10.4M e a solução é apenas uma: RENOVEM COM ESTE HOMEM!

Renovar com Thomas é o movimento mais correto possível. Manter o melhor jogador da posição na NFL, um dos pilares da defesa, com contrato novo e feliz, é com certeza o que você quer para ter tempo de reestruturação.

Não existe preço a ser pago hoje na NFL por um jogador como este. Uma escolha de primeira rodada ou até mais, parece bem longe do valor real e do impacto deste “monstrinho”. Ao meu ver, um contrato de 5 anos com U$13M por ano, um valor garantido bem gordo, um cap bem distribuído, é bom para todo mundo, e os 12’s agradecem.

#PayTheMan

Um jogador que ama a franquia e em hipótese alguma vai ser cortado é Russell Wilson. Analisando o contrato de Wilson, ele é obviamente um contrato que eu chamaria de “contrato de transição”. O que seria isso? Wilson ganhou uma renovação em 2015 com um hit médio de U$21.5M. Este contrato está fora dos padrões de um jogador como ele. Wilson é hoje um dos top-5 QBs da NFL, e seu salário é U$5.5M menor que o do QB mais bem pago (U$27M do Stafford).

Dois fatores pesam para essa decisão. Wilson tem um cap hit de aproximadamente U$23.8M em 2018. Uma renovação agora ajudaria a manter seu franchise QB por mais tempo e garanti-lo nos seus anos de auge e também diminuir seu impacto imediato no cap.

Similarmente a Thomas, garantir Wilson aqui por muitos anos é uma prioridade. Com um contrato mais gordo e mais bem estruturado, dando a possibilidade da franquia se preparar para casualidades contratuais no futuro, é a decisão certa a ser tomada pelo front office e preparar esse time voltar de onde não deveria ter saído, o topo.

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