Ruptura no Tendão de Aquiles: entenda a lesão do Richard Sherman

E aí, nação verde e azul! A offseason é tensa e maltrata. Eu sei. Por isso trago uma proposta para esses tempos sombrios: entender algumas lesões do nosso elenco de uma maneira clara e objetiva. Pretendo manter esses posts no decorrer da temporada também e por isso peço ajuda no feedback de todos “12th Man”. Então, mãos à obra!

 

Primeiro vou responder a vocês: o que é um tendão?

Ele é cordão fibroso, constituído de tecido conjuntivo (fibras de colágeno) e entre o músculo e o tendão existe uma estrutura chamada de órgão tendinoso de Golgi. Cabe a ele informar o grau de tensão muscular que está acontecendo ali, fazendo com que o músculo contraia mais para sustentar uma carga, ou relaxe – numa tentativa clara de proteger o músculo, uma vez que ele não aguentaria mais suportar a resistência imposta naquele músculo. Guardado essa informação, vamos adiante.

Então, o que é o Tendão de Aquiles?

Ele é a junção de dois músculos importantíssimos para fazer a flexãoplantar (ficar de ponta de pé), são eles o Gastrocnêmio e o Sóleo, em linhas gerais, a panturrilha. Ele se insere no osso chamado Calcâneo (representado na figura abaixo pelas setas), daí ele também ser conhecido como Tendão Calcâneo.

 

Mas como ele pode se romper?

Vários são os fatores, entre eles o uso de remédios do tipo corticoides, atividades de alto impacto (corredores, tenistas, saltadores), infiltrações com antiinflamatórios no local da inflamação ou uso de um determinado grupo de antibióticos e ainda, processos degenerativos como a inflamação (tendinite). Se você que está lendo for um pouco mais curioso, pode ir ver no injury report (onde o time informa as lesões e ausências nos treinos por motivos de saúde) de semanas anteriores a lesão, que foi na Semana 10, que o Sherman já estava ficando de fora de algumas práticas por conta de um tal calf e/ou Achilles. É amigo, calf é panturrilha em inglês. Nessas situações denominadas overuse (uso excessivo, em tradução livre), o tendão vai ficando mais fraco e mais suscetível a se romper, ainda mais porque durante a inflamação aquele órgão tendinoso de Golgi não responde de forma eficaz. Além desses fatores, o trauma mecânico (pancada) também pode rompê-lo, mas isso dificilmente acontece, pois ele é muito espesso e forte.

 

Como sabemos que rompeu?

Logo após um salto do nosso querido conerback ele caiu no chão e foi visto ele dizendo: “Rompi meu tendão de Aquiles! Rompi o Aquiles!”. Pois bem, em alguns casos o próprio paciente consegue ouvir um estalo no momento em que ocorre a ruptura. Caso não se escute, podemos utilizar outras formas de diagnóstico. Exames de imagem são capazes de identificar leões desse tipo como a ultrassonografia e a ressonância magnética (na imagem, onde a seta mostra a área de lesão); assim como uma avaliação clínica.

Durante essa avaliação clínica, o médico se faz uso do teste denominado Tríade de Simmonds (na figura mais abaixo). Nesse teste, o avaliador deve OLHAR a angulação do tornozelo e comparar com o outro lado (o tornozelo lesionado tende a ficar mais dobrado que o sadio); o segundo passo é a PALPAÇÃO, onde ele irá sentir um espaço – um buraco – no local da lesão; terceiro e último passo é o MOVIMENTO que deve ocorrer no tornozelo quando se aperta a panturrilha: no tendão intacto esse movimento deve ser o de flexão plantar (pé para baixo); no tendão rompido o movimento ocorre para cima (dorsiflexão).

Agora que identificamos, como tratar?

Os guias de tratamento dizem que a cirurgia deve sempre ser evitada, isto é, em casos de lesão parcial do tendão (graus um e dois), em indivíduos idosos, em adultos (mais de 40 anos) sedentários, inclusive para esses dois últimos grupos a cirurgia pode trazer muitos problemas, como infecção e má recuperação devido ao processo de envelhecimento. Ela, portanto, só é indicada em atletas, na população jovem, indivíduos com altos níveis de atividade física e quando o tratamento conservador não for eficaz na recuperação tecidual.

Recuperação pós-cirurgia: quando iniciado o tratamento fisioterapêutico logo após a cirurgia, a previsão de caminhada e subir escadas é de 12 semanas, em média. A fisioterapia atua com técnicas para melhorar a cicatrização do tendão (Lasers, Ultrassom terapêutico, técnicas manuais e por aí vai), prevenção de tromboses (causada pelo imobilismo e falta de contração da panturrilha) e fortalecimento muscular. O atleta retorna ao esporte, em média, 9 meses após a cirurgia, a depender do tratamento pós-operatório. Portanto, não se assustem se o Sherman voltar já para na preseason.

 

É isso galera, espero ter ajudado no entendimento da lesão, sobre suas complicações e previsões do nosso querido Richard Sherman. Em breve, novos posts sobre outras lesões deverão ser adicionados. Conto com o feedback de vocês para escolher os melhores casos para serem discutidos aqui!  #GoHawks

 

Texto produzido por João Victor M. de Lima.

Fisioterapeuta pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.

One Reply to “Ruptura no Tendão de Aquiles: entenda a lesão do Richard Sherman”

  1. […] Seahawks! Há um tempo, foi postado aqui no nosso site um texto sobre a lesão do Richard Sherman (veja aqui), abordando questões como mecanismos de lesão, formas de avaliação médica e tratamento a ser […]

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