Dizer adeus nem sempre é fácil

O inicio de uma nova era em Seattle

 

Dizer adeus nem sempre é fácil. Como torcedor do Seahawks desde o início dos anos 2000, vi essa franquia nos seus altos e baixos. Não posso dizer que vi a franquia nos seus piores dias, mas com certeza a vi nos melhores.

Peço licença a você que acompanha nosso trabalho para compartilhar um pouco do que eu vivi com os Seahawks. No fim dos anos 90, em 99 mais exatamente, Seattle contratou um técnico de grande respeito na pessoa de Mike Holmgren. Com algumas boas peças que a franquia já tinha, o coach Holmgren começou a montar um dos times mais divertidos de se ver naquela época. Shaun Alexander foi draftado em 2000, a linha ofensiva foi construída por jogadores extremamente talentosos (Big Walt está no HOF e alguns estão na fila), Boby Engram e Darrell Jackson eram os bons recebedores daquele time e em 2001 Matt Hasselbeck chegou e então os rumos da franquia começaram a mudar.

Em 2005, o ano do fatídico Super Bowl contra o Steelers, Seattle era um time muito talentoso dos dois lados da bola. Além do ataque já citado, a defesa tinha peças como Bryce Fisher e Rocky Bernard, que juntos, tiveram 17,5 sacks. A linha defensiva naquele ano foi extremamente eficaz. Na posição de Linebacker tínhamos Lofa Tatupo e uma secundária com Marcus Trufant, Michael Boulware e Jordan Barbineaux. Naquele ano ainda, Shaun Alexander ganharia o prêmio de MVP da temporada. Era um time fantástico.

Seattle chegou ao Super Bowl contra um time muito forte do Steelers. A defesa de Pitt era fantástica e um time respeitadíssimo naquele momento. Seattle fez de tudo para ganhar aquele Super Bowl, mas não contava com os inúmeros erros crassos dos juízes, que lhe custaram o tão desejado título. Ver o coach Holmegren sair chorando de campo nunca foi apagado da minha mente.

Aquela era a possível ultima chance daquele time, alguns jogadores já estavam rumando para o declínio da carreira, os contratos estavam ficando pesados e aquele time, que mais do que o do SB49 merecia ser campeão, nunca botou as mãos no troféu. Assim infelizmente é a NFL.

Aquele time que chegou ao Super Bowl, não foi mais o mesmo. O declínio nos anos seguintes era evidente. No fim de 2008 Holmgren decidiu sair e Jim Mora conduziu o Seahawks a um record de 5-11 no ano seguinte.

O inicio da era Carroll Schneider.

Em 2010 Seattle foi atrás de dois nomes que mudariam de vez a história da franquia.  Pete Carroll, treinador do USC Trojans e John Schneider, um dos queridinhos do Front Office de Green Bay, vieram para elevar o patamar dos Seahawks novamente a um Super Bowl contender. Trocas, escolhas no draft, Cap management e tantos outros fatores, levaram esses dois homens a serem respeitados por toda a NFL.

Em 2014, Seattle conquistou seu primeiro Super Bowl e no ano seguinte “perdeu por apenas uma jarda”.

Assim como o SB40, aquele era um divisor de águas no futuro da franquia. Seattle começaria a sentir o grande efeito de ter tantos jogadores talentosos em seu roster e por muitos anos, Schneider conseguiu com maestria organizar as contas e manter seus principais jogadores.

E então… Chegou a hora.

Em 2017 Seattle entrou no modo “All-in”, apostando todas as suas fichas em uma corrida para o Super Bowl, pois sabia que essa possivelmente era a última chance daquele time, bem como em 2005. Com os imprevistos daquela offseason, Seattle teve que se movimentar. Sheldon Richardson e Duane Brown chegaram para tapar os buracos, mas a um alto custo. Eles queriam chegar ao Super Bowl, mas nem tudo ocorreu como planejado.

As lesões de inúmeras estrelas da franquia, os altos custos salariais de vários jogadores e o fato de Seattle não aparecer nos playoffs pela primeira vez em 7 anos cobraram seu preço. Ao fim da temporada, alguns jogadores como Michael Bennett já haviam demonstrado que possivelmente não retornariam para a temporada seguinte.

É assim que as coisas fluem na NFL. Um dia você chega ao topo, no outro, seu time é todo desmontado.

Mais do que ninguém, me apeguei a vários desses jogadores. Aqueles que nos acompanham no twitter, sabem que eu disse no vídeo de homenagem ao Bennett, que o Seahawks fez, que eu o amava mais do que ao Wilson, LOB ou qualquer outro jogador, não só pelo que ele fazia dentro de campo, mas pelo ser humano que eu aprendi a admirar fora das quatro linhas.

Bennett era líder, esforçado, confiante, suava sangue pela camisa da franquia, botava seu coração dentro de campo e ouso dizer que muito do desempenho da secundária, sempre passou pelas mãos do bom pass-rush que tínhamos.

Mas Seattle precisava de ar puro, os jogadores mais novos chegavam no vestiário e não tinham voz, sua natureza de liderança era dominada pelos fortes egos que existiam dentro do vestiário de Seattle.

Sherman é um cara incrível. Dentro de campo sempre foi dominante e dedicado a camisa do Seahawks. A lesão ano passado pesou no fim, era inevitável a saída do jogador depois de tanto desgaste com a comissão técnica. Por duas vezes quase chegou a sair na mão com os treinadores. Depois daquela jogada do SB49, nunca mais foi o mesmo em seu espirito para com Seattle.

Earl Thomas também pode sair, mas quem pode impedir? O jogador já demonstrou o interesse em ser o jogador mais bem pago da posição, além de pedir para o técnico do Cowboys, time o qual ele é torcedor desde criança, para contratá-lo. Tudo pode não passar de uma tentativa de forçar Seattle a renovar, mas que pese as palavras que ele proferiu.

Lane, Shead e alguns outros nomes de menor expressão saíram e ninguém pode dizer que não se dedicaram enquanto estiveram aqui.

No fim, todos deixaram sua marca no CenturyLink Field. Nos rimos, nós choramos, nos emocionamos (NFC Championship em 2014 contra Green Bay que o diga), vibramos e somos gratos pelo que eles fizeram por nós, mas jogadores passam, a franquia fica.

Em 2018 Schneider apertou o botão de reconstrução. Liberar cap e obter picks de draft e jogadores de bom custo/beneficio, tudo  está sendo feito visando horizontes maiores. Essa temporada não deve ser nada animadora em termos de resultado, mas essa reconstrução é necessária.

Carroll reviu sua filosofia, o que é bem difícil, e reconstruirá o time para e a partir de Russell Wilson, tendo Bob Wagner como seu pilar defensivo. O time ganhará cara nova, estilo de jogo novo e foco diferente. Será um Seahawks mais ofensivo, um time que procura peças para o ataque para municiar seu QB, um time que viu que seu homem de confiança é capaz de “carregar o piano” e levar a franquia a mais títulos, e depois de 2010, quem é o louco que dúvida que Schneider e Carroll não são capazes de remontar esse time e voltar ao topo?

O processo não será tão mais lento, eles tem seu franchise QB, tem bons jogadores baratos e jovens na defesa, tem peças importantes no ataque e jogadores tutores para os jovens que estarão chegando.

12th’s, Seattle não acabou como muitos querem achar, é o início de um novo ciclo na franquia, é o momento da sair da estagnação que estávamos e começar a andar para frente. 2018 será difícil, mas acredito que em 2019/20, estaremos fortes como nunca, buscando mais um Super Bowl.

 

#GoHawks

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