12th por 12th – O que esperar do ataque do Seahawks com as mudanças na comissão técnica?

Passada a tristeza da primeira temporada fora dos playoffs em muito tempo, 2018 para a NFL começou e já temos o draft batendo a porta. Mas como serão desenvolvidos os jovens talentos e que time estará em campo após a saida de jogadores outrora importantes e chegada de reforços provenientes de uma movimentada free agency? A comissão técnica foi quase totalmente alterada sendo as mentes ofensivas as mais afetadas na reformulação. Darell Bevell, coordenador ofensivo desde 2011, responsável pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento da performance do Quarterback Russel Wilson, foi substituído pelo ex-treinador de quarterbacks do Indianapolis Colts Brian Schottenheimer. Além dele, Tom Cable, técnico de linha ofensiva, também desde 2011 junto ao staff, e além disso, assistente técnico do Pete Carroll e coordenador do jogo corrido, também foi mandado embora para a chegada de Mike Solari, ex-coordenador da linha ofensiva do New York Giants. Tendo em vista a magnitude destas duas alterações tanto no play-calling quanto na execução das jogas, o que podemos esperar ver em campo?

Em primeiro lugar é necessário entender o porquê dessas mudanças. E nesse sentido é preciso ter mente que o time que chegou ao Super Bowl duas vezes seguidas e por muito pouco não venceu os dois, tinha uma fórmula para vencer, a fórmula Pete Carrol para vencer: um jogo terrestre dominante, que cansava as defesas adversárias e por consequência descansava a sua, e que oferecia a um Quarterback muito preciso nos passes longos, tempo (via play-action) para que seus recebedores desenvolvessem suas rotas contra defesas que dificilmente poderiam se preparar contra o passe e contra a corrida ao mesmo tempo. Esse time, e mais precisamente esse ataque descrito acima em nada se assemelha com o que vimos em campo na última temporada. Um jogo terrestre anêmico, no qual Russell Wilson foi o corredor com mais jardas, e uma Linha ofensiva que quase nunca realizava seu trabalho e nas raras ocasiões em que era bem-sucedida logo víamos uma flanela amarela em campo: holding, number 65 (Sim, esse é o número do Germain Ifedi, caso você tenha esquecido). Uma mudança era mais que necessária. O Seattle Seahawks precisava voltar a ser… O Seattle Seahawks, o time do Pete Carrol.

E foi exatamente tendo isso em vista que Brian Schottenheimer foi contratado. O novo OC do Seahawks começou sua carreira em 1997 como um assistente no outrora St Louis Rams e começou a ter destaque pela primeira vez quando foi responsável pelo crescimento no nível do jogo do QB Phillip Rivers no também outrora San Diego Chargers em 2005. Foi então contratado pelo New York Jets para a vaga de coordenador ofensivo, local no qual, por sinal, nunca contou com um QB de elite. Sob a tutela de Schottenheimer os Jets terminaram entre primeiro e nono lugar no ranking dos ataques terrestres da NFL entre 2008 e 2010. 5 anos depois Brian retornou ao St Louis Rams sob a tutela do HC Jeff Fisher como coordenador ofensivo, mas dessa vez não conseguiu desenvolver um trabalho consistente. Em comum entre todos os seus empregos: Head Coaches com mentalidades defensivas que gostam de correr com a bola. Um pouco semelhante com a nossa situação atual, não? Outro fator bastante importante sobre o estilo de jogo adotado por Schottenheimer, além do poderoso jogo terrestre, e que você pode esperar ver no CenturyLink Field em 2018 é o Air Coryell system. É um sistema que se propõe a fazer a defesa adversária ter que defender praticamente o campo inteiro uma vez que é baseado em passes longos no fundo do campo, as chamadas vertical routes, no qual os recebedores se espalham com o intuito de espalhar consequentemente a defesa e abrir espaços inclusive para o jogo terrestre, este último conceito chamado spread. Além disso é um sistema no qual os Wide receivers possuem mais liberdade para inclusive alterarem suas rotas partindo do pressuposto de que ele e o quarterback estão fazendo a mesma leitura a cerca da defesa adversária. Basicamente é um sistema que não funciona sem quarterback e wide receivers extremamente inteligentes e que estejam em sintonia.

 

Nesta imagem pode-se a notar a profundidade de rotas, e suas possíveis variações;

Mas nenhuma dessas mudanças se tornariam efetivas se a linha ofensiva continuasse a ceder tackles para perda de jardas nos running backs e sacks no Russell Wilson. Segundo o Pro Football Focus, Seattle tem a 30ª linha ofensiva da NFL (ou terceira pior) cedendo 65 pressões além dos incontáveis sacks. Evidentemente uma troca era necessária. Tom Cable adotava um run blocking zone, no qual os jogadores devem ser mais leves e rápidos para se movimentarem no campo em zonas definidas abrindo os espaços para os running backs, atingido até o segundo nível do campo muitas vezes.  É um sistema mais difícil de ser compreendido pelos jogadores e que exige agilidade e atenção acima do normal, uma vez que ele não tem alguém pre-definido para bloquear. Se mal executado (como vinha sendo) o preço a se pagar é caro. Foi então que Seattle decidiu contratar Mike Solari como seu novo treinador de linha ofensiva. Ele vem realizando esse trabalho desde 1976 quando começou no Dallas Cowboys: é um treinador bem experiente e já treinou desde excepcionais a decepcionantes linhas ofensivas. O principal aspecto a ser observado em sua contratação é o tático: ele emprega, na maior parte do tempo, um man blocking run, que em uma analogia rasa, mas que facilita o entendimento, aumenta a “força” da linha com cada jogador tendo um espaço previamente definido a ser aberto e um jogador da defesa torna-se, portanto, sua responsabilidade.

Não foram apenas motivações táticas contudo que trouxeram Schottenheimer e Solari a Seattle. Ambos são conhecidos por serem bastante exigentes com seus jogadores – Schotty inclusive tem a fama de gritar bastantes nos treinos, exigindo o melhor em todas as jogadas – e Pete Carrol sentia que tanto Bevell quanto Cable não conseguiam extrair o máximo que seus jogadores poderiam oferecer.

Seattle, enfim, executou diversas mudanças tendo em vista um único objetivo: voltar a ser o Seattle Seahawks que conhecemos, mas que não pudemos ver totalmente na última temporada. As contratações de ambos os treinadores, pelo menos no aspecto teórico procuram reduzir os erros cometidos e exacerbar os acertos. Em tese, podemos esperar um ataque muito mais físico e competente. Mas pra que isso se concretize vai ser necessário um excelente trabalho tanto no draft quanto no manejo do salary cap da temporada. Quem sabe não descobrimos um novo Marshawn Lynch correndo sob uma linha consistente e oferecendo ao Russel Wilson a chance de ser MVP?

One Reply to “12th por 12th – O que esperar do ataque do Seahawks com as mudanças na comissão técnica?”

  1. Ótimo texto, com muitos detalhes e fácil leitura. Aguardamos o Draft e o recomeço dos Hawks! e como diria Schneider: Trust the Process!!

    Continuem com o ótimo trabalho!

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