É Possível Entender a Lesão do Malik McDowell?

Olá você, torcedor do Seahawks! Há um tempo, foi postado aqui no nosso site um texto sobre a lesão do Richard Sherman (veja aqui), abordando questões como mecanismos de lesão, formas de avaliação médica e tratamento a ser seguido. Dando sequência ao tema “LESÕES” e aproveitando o período pré-Draft, falaremos hoje sobre a nossa first pick do ano passado: Malick McDowell. Sim! Ele mesmo!

Essa semana houve um report sobre este sujeito feroz dizendo que o nosso querido time está pronto para cortá-lo em breve e isso acendeu novas conversas sobre a atual situação dele. Já adianto que no restante deste post será explicado algumas possíveis lesões que fizeram com que o DT ficasse de fora ano passado. Logo, essas lesões abordadas aqui são possíveis caminhos que ele trilhou. O que for realmente confirmado pela imprensa tomará papel de destaque, portanto leia o texto inteiro para não sair espalhando fake news por aí.

Primeiro ponto: o que sabemos de concreto dessa condição dele? Não muito. Apenas que ele sofreu um trauma na cabeça e uma lesão no olho. Para você ter uma noção do quão obscuras estão essas informações, não se sabe qual olho foi afetado, nem se a lesão é temporária, nem se ele está cego… Mas, vamos por partes e falarei primeiro de como esse cérebro/crânio dele deve estar.

Em um belo dia, este ser de primeira escolha no Draft resolveu dar um passeio de ATV (quadricíclo) e de repente… PAW! O cara capota/bate o veículo e sofre um dano na cabeça. O que aconteceu nesse cérebro depois de uma pancada dessa? Um Traumatismo Cranioencefálico (TCE). Existem vários tipos de TCE: Concussão; Lesão Axonal Difusa (LAD); Contusão Cerebral; Hematomas Epidural, Subdural Agudo e Crônico. Vamos partir do início.

Em uma Concussão cerebral, o trauma é fechado ao cérebro e sem lesão visível. Ocorre uma alteração temporária da função cerebral, com melhora em torno de 24h; não tem curso fatal e a perda de consciência é breve com duração inferior a 6h; se acordado após a pancada, pode acontecer uma amnésia em relação ao choque. Não adentrarei nesse tema Concussão, pois será pauta de novos textos. Acompanhe nosso site para saber mais em breve.

 

Aumentando a gravidade da lesão chegamos a Lesão Axonal Difusa, algo mais possível de ter acontecido com o Malik. Aqui, o neurônio (estrutura responsável pela propagação das informações neurológicas pelo nosso corpo) sofre um estiramento em decorrência de aceleração e desaceleração do movimento. Veja, que por definição, dá para lembrar de uma pancada de carro, não? Nele, há uma perda de consciência maior que 6h, com possível coma traumático. E esse tempo de coma serve de prognóstico: quanto maior for seu tempo, maior será seus efeitos colaterais. Comas de 6 a 24h gera uma LAD leve (pouco edema cerebral), já quando esse período ultrapassa as primeiras 24h, a lesão pode afetar outras estruturas mais profundas do cérebro.

Passando para outra lesão possível temos a Contusão Cerebral. Ela se caracteriza por uma lesão estrutural no tecido cerebral e pode ser demonstrada pela Tomografia do crânio com pequenas áreas de hemorragia! No geral, elas produzem alterações neurológicas na memória, levam a um déficit de atenção e problemas emocionais. Aqui temos uma lesão com um mecanismo parecido com a da LAD, pois é necessário um impacto capaz de tirar a inércia do cérebro, ou seja, ele se movimentará no impacto!! Guardem essa informação.

As ultimas lesões a serem citadas são as Hemorragias. São três e elas dependem do local onde o sangue será acumulado. Não entrarei em maiores detalhes, pois precisaria de um espaço maior para explicar as estruturas mais delicadas do cérebro, o que levaria muito tempo e tiraria o foco do texto, tornando a leitura cansativa. Então, atemos a Hemorragia Subdural Aguda. Ela é muito presente nos quadros de aceleração e desaceleração em altas velocidades. Ela se localiza entre as membranas que revestem o cérebro e é grave, podendo trazer repercussões oftálmicas e hemiparesia (paralisia leve) do lado contrário a lesão. Na imagem abaixo, a mancha mais cinzenta na figura A e uma mancha branca na figura B indicadas pelas setas são as áreas de hemorragia. (Não é uma cópia do exame dele).

Como pouco se sabe sobre a atual situação do McDowell não há como indicar com certeza qual lesão ele sofreu, como ele estará daqui a uns dias, nem se ele será capaz de jogar novamente esse ano, ou o próximo, ou outra vez na vida. O que podemos tirar daqui é que lesões provocadas por acelerações e desacelerações rápidas são mais danosas ao cérebro. No caso dele, já que ele andava por aí de quadriciclo, provavelmente ele teve uma Lesão Axonal Difusa, associada a uma contusão cerebral com possível fratura craniana (já que a pancada foi grande). Deve ter cursado com uma Hemorragia Subdural Aguda com provável redução após tratamento médico. Ainda deve apresentar quadro semelhante a um Acidente Vascular Encefálico (AVE), o famoso AVC, por causa da hemorragia que ocorreu. Retorno a dizer que as informações mais fiéis sobre seu quadro clínico foram reportado por Charles Robinson no Twitter. Segundo ele, o McDowell sofreu um trauma cerebral excessivo e um trauma no olho.

 

Enfim, é o que temos. Novamente, não temos como saber a sua real situação, mas espero que vocês tenham entendido a intenção desse texto que foi de mostrar alguns possíveis caminhos percorridos por ele. Até logo, 12th man. Em breve trarei novos posts com foco em lesões dos nossos jogadores.

 

 

 

Texto produzido por João Victor M. de Lima.

Fisioterapeuta pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.

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