Rashaad Penny, valeu a pena?

O torcedor do Seahawks amanheceu nessa sexta-feira (27), chateado com o ocorrido durante a noite passada no NFL Draft 2018. Seattle inicialmente tinha a escolha número 18 e via troca com o Green Bay Packers, cujos valores são bem questionáveis, Seattle desceu até a escolha  27.

O grande motivo dessa tristeza não foi o já esperado trade-down, mas sim o que veio a seguir. Seattle envia sua picke o nome é anunciado. Rashaad Penny, Running back da universidade de San Diego State. Uau! Um soco na boca do estômago. E por que digo isto?

Na escolha 27 ainda tinham vários nomes interessantes considerados jogadores de primeira rodada, entre eles, Harold Landry Defensive End de Boston College, Josh Jackson cornerback de Iowa, Connor Williams OffensiveTackle de Texas e Will Hernandez Offensive Guard de UTEP, além dos RBs Derius Guice, Nick Chubb, Ronald Jones e outros de grande talento. Mas nem mesmo o mais lunático dos apostadores diria que Seattle draftaria Rashaad Penny.

Veja bem caro 12th, o objetivo desse texto é “abafar” um pouco dessa mágoa que muitos estão sentindo, por isso me dedicarei a mostrar a escolha de um aspecto mais amplo.

Bem, vejamos. Primeiramente devemos admitir como conhecedores do processo seletivo da NFL, que ele foi supervalorizado na hora da escolha ou como chamamos, foi um “reach”. A escolha de Penny traz protesto não pelo talento do jogador em si, mas pelas possibilidades de escolha e as carências que a franquia tem neste momento, além da possibilidade de mais um trade-down e angariar mais “munição” no draft.

 

Olhando racionalmente e com cautela, podemos ver uma perspectiva diferente nessa escolha. De imediato Penny traz de volta perigo aos Special Teams. O jogador tem 8 retornos para Touchdowns e vários avanços gigantescos, que deixam sua equipe em boa posição de campo. O fator principal para essa conquista de boas posições de campo, é uma das principais habilidades de Penny, quebrar tackles. Ninguém no College chega perto da marca do jogador, são incríveis 86 missed tackles forçados temporada passada, ficando a frente de nomes como Nick Chubb (58), Ronald Jones (57) e Saquon Barkley, que sequer aparece na estatística do PFF. Com uma linha com óbvios problemas de bloqueio como a do Seahawks, essa habilidade é de extrema relevância. Além dos missed tackles forçados, ele também lidera a classe de RBs com o rating de “elusiveness” (123.3).

 

Rashaad Penny número 1 em elusiveness.

 

Penny tem outra característica importante para a situação atual de Seattle, jardas após o contato. Somente ano passado foram 1295 e ele ainda conta com uma média de 3.5 jardas após o contato na linha de scrimmage ou antes. Para efeito de comparação, Barkley tem apenas 0.46 jardas após o contato.

 

 

O running back tem números avassaladores. Foram 2248 jardas com 23 touchdowns e uma média de 7,5 jardas por carregada. São números impressionantes e que dizem muito do potencial e das qualidades do atleta. Além de excelente corredor, Rashaad ainda pode contribuir muito no jogo aéreo, já que tem boa versatilidade como recebedor. Foram 15 passes recebidos para 224 jardas e 3 touchdowns. Talvez os únicos fatores que, talvez, repito, talvez pesem contra o jogador é sua habilidade de bloquear e ter vindo de uma divisão fraca do college.

 

Rashaad Penny tem bom ganho de jardas mesmo com contato na LOS

 

Como disse no início, o problema não foi a escolha, foi momento e circunstâncias em que ela ocorreu. Mas acredito que Schneider saiba o que faz. Segundo o próprio, eles receberam uma oferta de um time logo após escolher o jogador (que suspeito que seja o Patriots pela escolha do Sony Michael que tem características parecidas), o que mostra que eles sabiam o que queriam e que este jogador não estaria disponível na sua próxima escolha. Vários reports dizem que o Browns queria o jogador e que ele seria a primeira escolha do dia 2 do draft. Analistas do PFF também complementaram que grande parte das franquias não se animou com nenhum running back(entenda-se grande diferença de habilidade), com as exceções de Barkley e Penny. Schneider sabia bem que não o teria na 76, ou outra escolha subsequente e então seguiu sua filosofia e pagou o preço pelo jogador que ele queria, não importando se seria alto demais (vide Frank Clark que era cotado para 5ª ou UDFA por conta de problemas de violência doméstica).

 

Melhor média de jardas ganhas após o contato na LOS

 

Com isso dito, gostaria de endossar que a escolha não foi uma das minhas favoritas, nem sequer cogitei, mas como costumo dizer, o tempo é um sábio que tem as melhores respostas para as nossas inquietações. Então 12ths, sejamos pacientes e esperemos que este sábio responda nossas dúvidas.

2 comentário em “Rashaad Penny, valeu a pena?

  1. Muito legal a matéria, acho que é bem por aí. Aguardando o podcast sobre as escolhas do draft, tem previsão pra sair?

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