Obrigado, Seattle!

Era 9 da manhã e estávamos no avião do time, sentados no terminal do Newark Airport. Após nós derrotarmos o Denver Broncos no Super Bowl 48 na noite anterior, tivemos que subir todo o caminho a pé. Eu, Mike B. e o resto da linha defensiva estouramos alguns champanhes e fomos para a festa do time por alguns minutos, e depois fomos a alguns clubs de Nova Iorque e só saímos quando pararam de nos servir bebidas e o sol apareceu e tivemos que ir para o aeroporto.

Então levamos a festa para o avião conosco.

Quase 12 horas após o término da partida, ainda estávamos com a adrenalina nas alturas. Tínhamos música alta. Algums caras estavam jogando cartas, falando um monte de besteiras e gritando. Em algum momento eu juro que vi alguém nú correndo para cima e para baixo gritando: “NÓS SOMOS CAMPEÕES, BABY!”

A TSA (agência do departamento de segurança nacional que toma conta dos aviões, voos e aeroportos) não teria gostado do que aconteceu naquele avião.

Mas não importava, o cara pelado estava certo.

Muitas pessoas disseram que era loucura jogar um Super Bowl em Nova Jersey em fevereiro, no auge do inverno. Estava tipo -6 a 0 graus a semana inteira, e uma nevasca estava a caminho.

mas de alguma forma, no dia do jogo, estava algo em torno de 10 graus.

Foi lindo.

Foi PERFEITO.

Na manhã seguinte, quando entramos no avião … a nevasca caiu.

Ficamos sentados no asfalto por 5 horas.

Finalmente a comemoração deu uma acalmada depois da primeira hora quando basicamente todo mundo estava exausto. E preciso te dizer, 5 horas sentado no terminal do aeroporto parece uma eternidade. Eu acho que cochilei umas duas ou três vezes e tipo, “ nós ainda não estamos no ar?”

Mas eu não poderia ficar bravo com isso. Eu olhava ao meu redor para meus companheiros e lembrava “Ah é!! … nós somos campeões, baby!”

Depois eu apenas sorri e voltei a dormir.

Todd Rosenberg/AP

Nos meus cinco anos em Seattle, aquela noite – toda aquela experiência de ganhar um Super Bowl – foi definitivamente o momento mais marcante. Mas toda a temporada de 2013 foi particularmente especial para mim por que esse foi um ano crucial para a minha carreira.

Este era meu primeiro ano em Seattle. Entrando neste ano, eu pensava que conseguiria algum dinheiro na Free agency. Mas o mercado estava ruim e por algum motivo Defensive Ends e Pass Rushers não conseguiram bons contratos. Então ao invés de assinar um grande contrato e ser o cara da franquia em algum lugar, eu assinei com o Seattle Seahawks por 2 anos, que queriam que eu fosse um jogador de rotação.

Aquilo foi definitivamente um chute para o ego.

Então  eu olhei ao redor no vestiário e vi caras como Sherman, Bobby Wagner, Earl, Kam e KJ, e eu pude sentir que estava na presença de gigantes – ou pelo menos gigantes em formação.

Lembre-se, eu estva vindo de Detroit, onde tivemos muitas derrotas. Nós tivemos um record de 0-16 no meu ano de calouro e em cinco anos, fomos apenas uma vez aos playoffs.

Agora, estava me juntando a uma cultura vencedora, não só como candidatos ao Super Bowl, mas com expectativas de título .

No começo da temporada, eu não era muito sociável. Eu realmente tive que engolir meu orgulho e descobrir como eu poderia cavar a minha vaga em uma defesa tão inacreditavelmente talentosa. Antes de mergulhar na cultura de Seattle, eu queria provar para os outros caras que eu tinha meu espaço. E quando a temporada começou eu comecei a mostrar para todos do que eu era capaz em campo, os caras começaram a me abraçar no vestiário.

Rob Carr/Getty Images

Eu nunca tinha jogado pingue-pongue antes. Mas naqueles primeiros anos em Seattle, parecia que era tudo o que fazíamos. Nós estávamos jogando todos os dias. Às vezes, tínhamos duas mesas ao mesmo tempo. E a única coisa que ficava mais aquecida do que os jogos em si eram as conversas fiadas. Todo mundo estava sempre falando como se fossem os top-5 ou os top-3 da equipe, e muitos caras afirmavam ser o número 1.

Mas qual é… todos sabemos quem era o rei da mesa…

Nah, não era eu. Eu jogava bem, mas tenho que admitir que não era o melhor.

Apesar de que, eu era definitivamente um top-5.

(Viu? Todo mundo acha que é um top-5)

Eu realmente penso – e eu não posso acreditar que estou prestes a dizer isso … mas o rei da mesa?

Eu poderia dizer que era o Earl.

Ou talvez o Jimmy Graham. Jimmy mandava bem. Luke Willsom também pode ser citado.

Tudo o que eu sei é que, definitivamente não era o Sherman 😉… foi mal, mano.

Mas de todos, ninguém era capaz de superar Steven Hauschka quando ele estava lá. Ele era frio, cara. Hauschka mandava no jogo.

”Agora que parei para pensar, nós não jogamos muito ping-pong em Seattle temporada passada. Talveez isto seja parte do problema”

Ping-Pong era uma grande parte da nossa cultura de vestiário. Se eu entrasse em uma disputa com Earl, Sherman ou qualquer outro – apenas brincando como costumávamos fazer – sempre acabava com um de nós dizendo, “vamos resolver isso na mesa de ping-pong”. E era assim que resolvíamos as coisas.

Era divertido cara. Mas também era loucamente competitivo.Lembro-me de um ano em que estávamos voltando da offseason – acho que foi no ano seguinte em que vencemos o Super Bowl – e, do nada, Earl intensificou seu jogo. Seu saque estava no ponto e ele apenas ficava zoando o resto do pessoal.

Eu estava tipo, “Earl, você deve estar trapaceando cara”

Eu não faço a menor ideia de como seria possível  trapacear no Ping-pong, mas eu estava a ponto de checar as raquetes ou algo assim.

Ele me respondeu, “Não, eu não estou trapaceando, eu tenho uma mesa de ping-pong em casa agora. Tá ligado!”.

Estou lhe dizendo, o mercado de mesas de ping-pong em Seattle ficou aquecido por que eu acho que todo mundo comprou uma mesa de ping-pong durante a offseason para suas casas para que pudessem praticar e estarem prontos quando chegasse no trabalho. Nós levávamos isto a sério.

Eu atualmente acho que o Ping-Pong teve muito a ver com o porquê de termos sido tão bem sucedidos. Foi uma grande parte da camaradagem no nosso vestiário.

Joe Nicholson/USA TODAY Sports

Agora que parei para pensar, nós não jogamos muito ping-pong em Seattle temporada passada. Talvez esta seja parte do problema. Eu sei que não fomos o mesmo time apenas por causa de todas as lesões – Eu, Sherman and Kam todos ficamos fora da temporada, e um monte de outros caras perderam alguns jogos. Você perder tantos jogadores, especialmente  caras como Sherman e Kam que são líderes – isto obviamente teria um efeito.

Mas ainda continuo achando que não jogamos ping-pong o suficiente.

 


 

Quando machuquei meu pescoço na semana 4, não pensei por um segundo que seria a última vez que sairia de campo com um uniforme do Seahawks. Honestamente, quando voltei a sentir os meus braços e o formigamento em meus dedos diminuiu, me senti bem – como se pudesse voltar e  jogar normalmente.

Então, quando os médicos da equipe me disseram que eu tinha que ir ao hospital, percebi que era apenas um protocolo. Eu ia fazer uma ressonância magnética rápida e ir para casa, talvez perder um jogo ou dois, se fosse absolutamente necessário. Eu não achei que fosse o fim da temporada.

Eu definitivamente não pensava que estaria fora de Seattle.

Mas, como qualquer pessoa que tenha participado dessa liga lhe dirá: na maioria das vezes, você não escolhe quando acaba. Essa decisão geralmente é feita para você.

A partir de agora, não tenho certeza do que o futuro reserva para mim. Muitas pessoas têm me perguntado se estou pensando em me aposentar, e tudo que posso dizer é que estou trabalhando de perto com meus médicos e que vou tomar a melhor decisão para mim e minha família quando chegar a hora certa.

Por enquanto, meu tempo como um Seahawk chegou ao fim,e eu realmente só quero mostrar minha gratidão.

Para o coach Carroll, John Schneider e Paul Allen: Obrigado. Eu agradeço tudo o que vocês fizeram por mim, mas mais do que tudo, agradeço a oportunidade que vocês me deram.

Para todos os outros técnicos, treinadores e pessoas nos bastidores com os quais eu pude interagir – especialmente Mo Kelly no desenvolvimento de jogadores, que sempre acreditou em mim e ajudou a me orientar: Eu também sou grato a você. Obrigado.

E claro, aos meus colegas de equipe…

Mike B .: Viemos para Seattle juntos e agora estamos saindo juntos. Estou orgulhoso do que fizemos lá e amo você por ter sempre estar lá por mim, não importa o que aconteça. E se alguém duvida da sua lealdade, apenas diga para eles irem falar com Johnny Hekker 😂.

Sherman, Bobby, Earl, Kam, KJ: Vocês me motivaram a buscar a grandeza todos os dias porque vocês eram grandes. Quando vim para Seattle e vi o tipo de talento que vocês tinham, aceitei como um desafio provar a vocês que eu poderia contribuir para a melhor defesa da liga. Vocês me motivaram. Eu me tornei o jogador que eu era por sua causa. Vocês me deram a oportunidade de ganhar um Super Bowl. Vocês me ajudaram a alcançar o Pro Bowl. Vocês me levaram para a terra prometida. Eu amo vocês por isso.

E por último mas definitivamente não menos importante…

Os 12s

John Froschauer/AP

“Estou orgulhoso de tudo o que realizei durante os meus cinco anos em Seattle e estou orgulhoso por ter conseguido fazer tudo isso na frente dos melhores fãs do mundo.“

Eu sempre me lembrarei do som em nosso estádio no dia do jogo. As vezes que eu senti falta de estar em campo no ano passado,mas foi quando eu estava na sideline do CenturyLink e vocês estavam ficando tão malucos que eu podia sentir o chão tremendo embaixo dos meus pés. Eu pude sentir sua paixão. E nesses momentos, a única coisa no mundo que eu desejava poder fazer era sair naquele campo e representar vocês.

Não há fãs como vocês em qualquer outro lugar do mundo em esportes profissionais.

Qualquer lugar.

Mas para as pessoas que não sabem, deixem-me dizer-lhe o que mais amo nos 12s: é que eles não apenas nos apoiam no campo de futebol.

Eles nos apoiam fora do campo também.

Eles apoiam nossos empreendimentos comerciais. Eles contribuem para nossas fundações. Eles querem que tenhamos sucesso como membros da comunidade tanto quanto como jogadores de futebol.

E tudo o que pedem em troca aos domingos nós tratemos dos negócios dentro de campo.

Estou orgulhoso de tudo o que realizei durante os meus cinco anos em Seattle e estou orgulhoso por ter conseguido fazer tudo na frente dos melhores fãs do mundo. Eu não acho que poderia ter pedido mais nada. É realmente um lugar especial para se jogar.

Então obrigado, Seattle. Eu vou sentir falta de ser um Seahawk.

Na verdade, eu estou brincando…

Eu SEMPRE serei um.

Go Hawks!

 

Cliff Avrill

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