Lesão de Ligamento Cruzado Anterior: O Pesadelo dos Atletas

Hoje vamos falar de uma lesão que maltrata a todos, seja jogador ou torcedor, todos sofrem com a Lesão do Ligamento Cruzado Anterior do joelho, a famosa ACL torn (Anterior Cruciate Ligament, do inglês) conhecida no Brasil por Lesão de LCA. Ela é o terror de todo mundo esportivo, uma vez que diagnosticada a lesão, o tempo de retorno a prática esportiva é de no mínimo seis meses (quanto maior o tempo de retorno, menor as chances de nova lesão ou desenvolvimento de artrose no joelho), podendo chegar a 9, 10 meses. Na NFL, a L-LCA é sinônimo de fim de temporada e até o próximo ano.

Dados publicados por Carey e outros (2002) mostraram que entre 21% a 37% dos atletas que sofreram lesão de LCA jamais voltam a outro jogo na NFL e os que voltam a jogar tem seu rendimento diminuído me relação ao momento antes da lesão. Triste dado, porém, é real. Esse mesmo estudo fez um levantamento no número de lesões que ocorreram na NFL no período de 2010-2013 e o resultado foi de 219 lesões! Algo em torno de 55 lesões por ano! Até agora já temos sete atletas com diagnóstico fechado: Jake Ryan LB Packers, Hunter Henry TE Chargers, Paul Worrilow LB Eagles, Fozzy Whitaker RB Panthers, Morgan Fox DE Rams, Rod Taylor G Bengals e Nick Bawben FB Lions.

E vamos a primeira pergunta: em qual mês ocorre mais lesões? Essa será uma das perguntas que falei ao longo do texto e serão respondidas com imagens e gráficos ao final desta leitura.

Outra pergunta que geralmente aparece nos grupos e páginas de Futebol Americano é sobre a posição de maior número de lesões. Muitos falam dos jogadores de linha, seja ofensiva ou defensiva, e se justificam pelo peso dos atletas, pelas quedas sobre os companheiros, outros falam que a quantidade de cortes e giros dos running backs favorecem as lesões; e esta é a pergunta 2: Qual posição mais lesionada? Antes de responder, vamos a uma explicação básica sobre o mecanismo de lesão do LCA.

Pode ser indireta: semi-flexão de joelho associado ao estresse em valgo (de fora do joelho para dentro) mais rotação externa do quadril é o mecanismo básico. Falando assim é complicado de entender, mas lembre-se daquela frase “rodei o corpo com o pé preso” e você entenderá; como forma indireta também existe aquelas quedas onde vemos o atleta aterrissando com o joelho para dentro (cenas fortes), aqui há muita força em valgo e o pobrezinho LCA não aguenta; ou direta: trauma direto no membro inferior em extensão máxima, aqui você vai lembrar dos pisões frontais do Jon Jones, no UFC (fui longe, hein?!). 

Ela tem três graus de lesão: Grau 1 (não precisa cirurgia, muito leve), Grau 2 (atinge cerca da metade do ligamento, não há ruptura total, não precisa cirurgia), Grau 3 (ruptura total do ligamento, cirurgia necessária).

Mecanismo explicado, vamos para outros fatores relacionados e algo muito estudado é o tipo de grama utilizada. Uma revisão sistemática publicada em 2015 e feita por Balazs e sua equipe, realizou um levantamento de todos os trabalhos envolvendo o tipo de solo que mais causava lesões de LCA em atletas. Eis a pergunta 3: grama ou piso artificial? Essa eu vou logo dizer porque é mais fácil. Evidências de alta qualidade mostraram que o piso sintético aumenta o número de lesões nos atletas de futebol americano, mas aparentemente não altera esse número em jogadores de futebol, o soccer. Não se sabe bem o motivo, mas os “escorregões” podem ser a saída para esse achado científico.

Então, recapitulando: você já entende a gravidade da lesão, o tempo que o atleta fica parado, como ele volta ao esporte de alto rendimento, os mecanismos mais comuns de lesão e o piso que mais está relacionado a isso. Dito isto, vamos as perguntas?!

  1. Qual mês ocorre mais lesões? Engano seu que pensou ser o final da temporada, onde os atletas estão mais cansados fisicamente, mais sofridos pela quantidade de jogos. Os maiores números de lesões são no mês de Agosto, o mês da nossa famosa pré-temporada. Pode ser porque há uma quantidade maior de atletas? Pode. Mas também pode ser porque eles dão seu máximo para mostrar serviço e, se não se cuidarem na offseason, entram em Agosto despreparados e aumentando o risco de lesões.
  2. Qual posição mais lesionada? Vamos por partes. No geral, wide receivers, tight ends, linebackers, running backs, e fullbacks foram as posições que mais sofreram entre 2010-2013, isto pode ser explicado pela forma de jogo dessas posições que estão envolvidas na maioria dos tackles, o que expõem a impactos violentos em alta velocidade, sem contar que eles também são muito envolvidos no time de especialistas (que ocorre o mesmo tipo de contato) e essa unidade corresponde a 20% das lesões de jogo (BRADLEY e col., 2002). Curiosamente, o risco de lesão nos defensive backs (em especial os safeties) é menor que nas outras posições. Os atletas de linha (seja defensiva ou ofensiva), os guards e centers, assim como os defensive tackles são os mais propensos a se lesionar quando comparados aos de perímetro (defensive ends e offensive tackles), devido ao maior peso e a quantidade de quedas e jogo tumultuado nas trincheiras.

Outros fatores mais complexos também estão relacionados, como questões hormonais, biomecânica do atleta, lesões preexistentes, clima e temperatura do jogo, fatores psicossociais e emocionais como depressão e ansiedade, entre outra infinidade de aspectos que não cabem aqui. Portanto, posso deixar para vocês os tópicos citados nesse texto: quanto maior o contato, maior chance de lesão; grama sintética aumenta o risco; jogar em área tumultuada aumenta o risco. Lembrando que a intenção é mostrar de forma clara e simples esse pesadelo chamado lesão de LCA. Até mais com novos posts sobre lesões!

 

REFERÊNCIAS:

Dodson CC, et al. Anterior Cruciate Ligament Injuries in National Football League Athletes From 2010 to 2013: A Descriptive Epidemiology Study. The Orthopaedic Journal of Sports Medicine. 2016 Mar 3;4(3).

 

 

 

Texto publicado por João Victor Morais de Lima.
Fisioterapeuta pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.
Mestrando em Ciências da Reabilitação pela UFRN.

Deixe uma resposta