O começo que não precisávamos – Semana 1

Nos 1.700 metros de altitude de Mile High, o Seattle Seahawks estreou com derrota de 27×24 para o Denver Broncos, na semana 1 da nova temporada da NFL. À parte dos problemas já esperados pelas inúmeras alterações do roster em relação ao ano passado, a partida expôs certas fragilidades que impediram um bom começo para o time comandado por Pete Carroll.

Claro que o confronto contra a ótima linha defensiva do Broncos fora de casa não era encarada como fácil. A desvantagem de 3,5 pontos nas bolsas de Las Vegas, junto ao histórico de apenas uma vitória em oito dos primeiros jogos fora de Seattle sob comando de Carroll, davam a dimensão do desafio. Mesmo assim, o gosto da derrota em Mile High ficará amargo na boca dos torcedores do Seahawks muito porque ela não teria acontecido senão por sutis, mas importantes, falhas.

Antes de tudo, é importante lembrar que Seattle estreou no domingo seu novo coordenador ofensivo, Brian Schottenheimer, seu novo coordenador defensivo, Ken Norton Jr. e, por fim, seu novo técnico de linha ofensiva, Mike Solari.

De início, o que mais atrapalhou o desempenho de Seattle foi a passividade da linha defensiva. Acostumado com um pass rush eficiente nos anos da Legion of Boom, a linha não conseguiu pressionar Case Keenum, e muito menos segurar as corridas de Denver no primeiro esforço.

Durante todo o jogo, o Broncos correu para 146 jardas, uma média de 4,6 por tentativa, enquanto o Keenum foi sackado apenas uma vez, para perda de cinco jardas. Os números em si não terríveis mas se comparados com os de Seattle, é possível entender a dominância de Denver nos setores. O Seahawks, por sua vez, correu para 64 jardas, com média de 4 jardas por carregada e Russell Wilson sofreu seis sacks para perda de 56 jardas (!!!), além de dois fumbles (um em jogada de Von Miller e o outro simplesmente em uma recepção ruim de snap).

O último ponto também reflete o segundo ponto abaixo da crítica por parte de Seattle na partida – seu QB titular. Por mais que estivesse em situação complicada – com a qual, aliás, já está acostumado – Wilson tomou decisões erradas e passou longe de seu jogo mais preciso em Denver. O número 3 teve estatísticas no geral razoáveis, ainda mais considerando um jogo fora de casa, com 57,6% de acerto, média de 9 jardas por passe e rating de 92,7, com três touchodowns e duas interceptações (sendo o último em passe desleixado no estouro do cronômetro).

Porém, além de sempre esperar mais que uma performance regular de Wilson, devido ao seu status de QB de elite, o quarterback tomou algumas decisões erradas que não são exatamente refletidas nos números. O primeiro ponto é que o número 3 forçou demais situações de scrambles e sofreu sacks desnecessários, em que ele poderia, ou achar uma rota curta com um RB ou TE, ou simplesmente jogar a bola para fora e não sofrer a perda de jardas. Em coletiva após o jogo aliás, o capitão ofensivo admitiu culpa por três das seis pauladas.

O segundo ponto negativo do desempenho de Russell foi seu aproveitamento abaixo da média em situações delicadas de 3ª descida. Ao todo no jogo, Seattle só converteu 2 3º downs em 12 tentativas, contra 4 de 12 do Broncos.

Além do desempenho abaixo da média do corpo de linebackers, um pouco esperada pela ausência de KJ Wright (ainda é notável que o rookie Shaqueem Griffin e o undrafted rookie Austin Calitro têm coisas boas para oferecer mas ainda muito a melhorar), Seattle contou com uma baixa inesperada: o novo kicker Sebastian Janikowski errou um field goal de 46 jardas, o que poderia ser determinante na partida já que a vantagem final de Denver apenas foi de 3 pontos.

 

Enfim, os pontos positivos!

Apesar dos inúmeros problemas que devem ser melhorados no decorrer da temporada, algumas coisas funcionaram bem da partida e merecem destaque. O mais óbvio foi o desempenho do rookie Tight End Will Dissly, que, em teoria, seria mais participativo nos bloqueios do que em rotas para recepção, mas teve três recepções para 105 jardas e um touchdown.

Outro ponto positivo foi o RB segundo-anista Chris Carson. Apesar do strip sack incrével sofrido por Von Miller, o corredor teve um bom desempenho com 51 das 64 jardas de Seattle, com ótima média de 7,3 jardas por tentativa.

O veterano Brandon Marshall, uma aposta de Carroll na inter-temporada, teve um desempenho importante, recebendo três passes para 46 jardas e 1 touchdown em seu primeiro jogo como Seahawk.

Outro, agora ainda mais surpreendente, ponto positivo foi a secundária. Apesar de ter cedido um grande número grande de passes longos, sete para mais de 20 jardas, o corpo de defensive backs, que parecia ser o ponto mais frágil do time antes do retorno de Earl Thomas, conseguiu três interceptações, uma do próprio Free Safety e duas do Strong Safety Bradley McDougald.

 

Bônus: Linha ofensiva

Tema central das críticas nas duas últimas temporadas, a linha, sob novo comando, teve um teste de fogo logo na primeira semana, com um dos melhores pass-rushs da liga. Exatamente por causa da qualidade do adversário, que ainda jogava em casa e na altitude, fica difícil quantificar o quão, ruim, ou não, foi o desempenho da OL.

É notável que o desempenho no bloqueio de corridas pareceu um pouco melhor em relação ao ano passado, principalmente se comparado ao jogo inaugural de 2017, contra o Green Bay Packers fora, quando Seattle teve média de 3,1 jardas por tentativas em corridas com RB’s (contra 4 jardas por tentativa de domingo).

Em relação à proteção do quarterback era esperado que o confronto não seria fácil devido ao adversário, mas não há como achar seis sacks algo aceitável.

Independente dos pontos positivos ou não da OL, que ainda não teve o guard D.J. Flucker, lesionado, só poderemos atestar uma melhora, ou não, da linha, durante as próximas semanas.

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