Semana 1 – Seahawks @ Broncos: Análise Tática

Por: João Pedro Pereira

A NFL volta, e com ela temos sempre questionamentos sobre como os times estão jogando. Novas tendências, novos conceitos, novas formações. É mais importante ainda entender como o time que você torce está se comportando. O Seahawks passa por mudanças grandes, com a chegada de novos coordenadores, principalmente no lado ofensivo da bola, já que do lado defensivo, Pete Carroll se mantém como a grande mente pensante. Agora, Russell Wilson passa finalmente a ser o grande nome da Franquia, resta saber se ele ainda (ou quando) irá evoluir o suficiente para se juntar ao QBs Elites da Liga.

Sem mais enrolação, vamos ao que aconteceu no campo na partida que abriu a temporada da Franquia de Seattle contra o Denver Broncos.

 

Defesa:

Com a saída de Richard Sherman, Shaquill Grifin (#26) assumiu a posição de CB1 jogando pelo lado esquerdo da equipe, e com a lesão de Byron Maxwell, a vaga de CB2 pelo lado esquerdo caiu no colo de Tre Flowers. Atuando em Cover-3, uma movimentação chamou a atenção: a cobertura era formada por Bradley McDougald (SS, #30), Earl Thomas (FS, #29) e Shaquill Grifin (CB) enquanto Tre Flowers (CB, #37) fez algumas marcações cobrindo a zona lateral ou mais para o meio do campo. Podemos perceber a marcação zona do Griffin porque ele olha diretamente para o QB, enquanto Flowers, marcando individualmente fixa seus olhos no QB. A jogada quase termina em interceptação.

 

 

 

 

 

 

 

 

Outra coisa que chamou a atenção é o calouro Shaquem Griffin (LB, #49) merecidamente titular na vaga do lesionado KJ Wright. Neste jogo sua obrigação em vários momentos passava por marcar o passe primeiramente no RB adversário. No primeiro TD do Broncos ele era o responsável por essa cobertura e infelizmente falha. Na jogada podemos perceber que Shaquem Griffin hesita em ir marcar o RB no momento em que faz a leitura e ainda sim dá um passo para o meio do campo ao invés de ir na direção do RB na sideline. Ele ainda tem sua reação atrapalhada por Tre Flowers que é levado ao meio do campo acompanhando o WR mais aberto do Broncos.

 

 

Finalizando o lado defensivo da partida, precisamos falar sobre a Linha Defensiva, onde já esperávamos ter dificuldade na transição de uma temporada para a outra, e esta partida inicial só confirmou estes problemas: o Seahawks foi o pior time pressionando o QB adversário nesta semana 1 da NFL.

Na jogada abaixo temos um exemplo do que aconteceu quando a DL de Seattle conseguiu exercer uma mínima pressão no QB adversário: além de Case Keenum ter que se livrar da bola mais rápido (podendo forçar até um Intentional Grounding, falta onde o time perde jardas e a descida), a OL pressionada acaba cometendo Holdings (como este cometido por Ronald Leary, LG #65).

 

Ataque:

Algo que minou o ataque de Seattle durante a partida foi a capacidade de converter terceiras descidas. Ou a falta dessa capacidade. Foram apenas duas (2) terceiras descidas conquistadas de 12 tentadas, um aproveitamento de apenas 16,7%, sendo a 31ª pior da semana 1, ficando na frente apenas do Buffalo Bills. Vários ajustes precisam acontecer por parte da OL, das chamadas e por parte de Russell Wilson, que é conhecido por segurar bastante a bola, mas que em terceiras descidas parece ficar um pouco mais apressado para completar o passe e muitas vezes acaba errando leituras. Veremos alguns lances a seguir:

3&goal, primeiro quarto: jogada desenha para um screen pass buscando Tyler Lockett. Os WRs no lado da jogada bloqueiam e do outro lado o WR (in) e o RB (swing) fazem rotas de escape. Wilson lê a defesa e decide que não deve lançar em Lockett mas atrasa o passe na rota de fuga e a jogada acaba em passe incompleto e a equipe termina a campanha apenas com um FG.

 

3&3, último quarto: Sack e punt na quarta descida. Russell Wilson é engolido por Von Miller no lance e ele tem culpa nisso.  Ao tentar improvisar e sair do pocket, Wilson faz a progressão errada e vai diretamente na direção que Von Miller estava vindo. Caso tivesse feito a progressão saindo do pocket para frente, teria a opção de correr para a primeira descida e provavelmente atrairia um marcador abrindo espaço no meio do campo para lançar na direção de Brandon Marshall e conseguir manter a campanha viva.

 

Algo que foi uma surpresa e deixa um gosto de quero mais foi a boa utilização do TE Rookie Will Dissly. Além do TD recebido, o Rookie recebeu outros bons passes, conquistou jardas após a recepção, pode ser um ótimo alvo na redzone e participou bem de bloqueios, inclusive na jogada do TD em que ele segura bem o DE Bradley Chubb, em seguida faz o release e sai para receber o passe, vencendo o marcador também na velocidade.

 

Finalizando, precisamos falar sobre a Linha Ofensiva. É nítido que a unidade, falando do grrupo titular, evoluiu. E isso vem acontecendo desde a temporada passada. Contudo, e como nem tudo são flores, há ainda um elo fraco que destoa e acaba puxando todos os outros pra baixo, e esse problema tem nome e sobrenome: Germain Ifedi. Atualmente atuando como RT, Ifedi consegue sempre deixar Russell Wilson em apuros. É necessário aceitar que Ifedi foi uma péssima escolha e seguir a vida da franquia sem ele.

 

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