Quem se destacou (positiva e negativamente) após a derrota para o Bears?

Shaquill Griffin - dit

Um desempenho desanimador. Foi essa impressão causada pelo Seattle Seahawks após a derrota por 24×17 para o Chicago Bears na noite da segunda-feira (17). O desempenho ofensivo foi um desastre em quase toda a partida. Parecia que o próprio ataque estava se sabotando durante o confronto. E mesmo assim Seattle poderia ter vencido o jogo, muito por conta de uma atuação também abaixo do esperado do ataque da franquia de Chicago e também por uma atuação até surpreendente da defesa, diante de tantos desfalques. Entre alguns pontos fortes e muitos fracos na segunda derrota da equipe na temporada, separamos alguns que ajudam a explicar o resultado do Monday Night Football.

VENCEDORES

> Shaquill Griffin

Listado como questionável antes da partida, Shaquill Griffin desempenhou um excelente papel no meio de uma defesa completamente baleada. O camisa 26 conseguiu duas interceptações e mostrou porque é considerando uma peça importante para o futuro da franquia.

O começo da partida não foi animador. Shaquill cometeu um facemask que prolongou a vida da primeira campanha do Bears, resultando mais tarde no touchdown de Trey Burton. No entanto, no restante da partida, o cornerback elevou o seu nível e foi um dos principais nomes na defesa do Seahawks. Em diversos momentos do jogo, mesmo quando cedeu alguma recepção, mostrou qualidade em evitar que ela se transformasse em uma jogada mais longa, contendo quem estivesse marcando. E, por conta desse desempenho, ele foi recompensado com duas interceptações. Na primeira, Griffin fez um bom trabalho acompanhando Allen Robinson, recebedor número um do Bears, e se aproveitou de um underthrow de Mitchel Trubisky para agarrar a bola. Na segunda, ele demonstrou atleticismo para agarrar um um passe desviado por Bradley McDougald, que voltou a ser um destaque positivo na defesa de Seattle. 

Em sua temporada de calouro, Shaquill demonstrou várias qualidades, mas falhou em registrar interceptações, tendo apenas uma nos quinze jogos em que disputou em 2017. Agora colocado na posição principal cornerback do Seahawks, com a dispensa de Richard Sherman, o camisa 26 voltou a dar sinais de que pode se desenvolver em um dos principais jogadores de sua posição na NFL.

> Drop kick do Michael Dickson e Sebastian Janikowski

Após a partida contra Denver, em que errou dois field goals em uma mesma jogada, Sebastian Janikowski começou a despertar uma certa insegurança entre os torcedores da franquia. Mas ontem, Janikowski trouxe um pouco mais de tranquilidade (pelo menos por enquanto) com uma atuação clássica. Além de acertar seus dois extra points, o veterano de 41 anos, em sua única tentativa de field goal no Soldier Field, acertou uma bomba de 56 jardas bem no meio do Y. Um chute que teria sido convertido até mesmo em uma distância maior.

Por sinal, o chute convertido por Janikowski foi o terceiro mais longo da história da franquia, atrás apenas de dois chutes de 58 jardas: um de Josh Brown contra o Packers, em outubro de 2003, e um de Steven Hauschka contra o Panthers, na temporada de 2014.

Aproveitando que estamos falando no time de especialistas, vamos falar também de Michael Dickson. O desempenho do punter caiu de produção em relação a semana passada. Mas algo dentro do esperado diante da monstruosidade da primeira partida, onde obteve uma média de 59 jardas por chute. Mas, com exceção de um punt tenebroso que viajou apenas 10 jardas (onde ele mostrou que também é humano), o australiano teve uma boa partida. Colocou um chute dentro da linha de cinco jardas, sem direito a retorno. Por conta do péssimo punt, sua média na rodada foi de 45,1 jardas por chute, apenas a 19ª melhor marca da semana. Apenas como comparação, caso seu punt de 10 jardas fosse excluído, o camisa 4 teria 51 jardas de média, empatado com a 7ª melhor marca da semana, ao lado de punters estrelas na liga como Johnny Hekker e Marquette King). Mas o ponto alto que merece colocar o Michael Dickson na lista de vencedores da semana foi um drop kick. Sim, isso mesmo. Um drop kick.

Logo após o extra point no touchdown de Tyler Lockett, o Bears cometeu uma penalidade de 15 jardas, que seria acrescentada no momento do chute de devolução. Assim, ao invés de devolver a bola na linha de 35 jardas de seu campo, o Seahawks iria realizar o kickoff na linha de 50 jardas. Foi aí que Seattle decidiu chutar um drop kick com o Michael Dickson, ao invés do tradicional chute de devolução, e colocar o pior posicionamento de campo para o Bears. A Estratégia deu certo. Dickson colocou a bola na linha de 1 jarda, retornada até a linha de 15 por Anthony Miller. Nesse drive, a defesa conseguiu forçar um 3 and out no ataque comandado por Trubisky. Uma situação que mostra uma excelente oportunidade para o Seahawks nos próximo jogos e ganhar a batalha pela posição de campo, algo importantíssimo na NFL.

> Defesa contra a corrida

De uma maneira geral, a defesa teve uma boa atuação contra o Bears. Mesmo levando em conta que o desempenho de Chicago também não foi dos melhores, a defesa de Seattle teve um papel melhor que o esperado, diante da ausência de jogadores importantes como Bobby Wagner e KJ Wright. O ataque do Bears foi limitado a 4,3 jardas por jogada, uma média bem baixa para os padrões da NFL (curiosamente, foi a mesma média para o ataque do Seahawks na partida). E parar Jordan Howard e o restante dos corredores do Bears foi um importante fator no jogo defensivo. Howard obteve apenas 35 jardas em 14 carregadas, uma média de 2,5 jardas por corrida. Num total, o jogo terrestre do Bears conquistou 86 jardas em 27 jogadas (3,2 de média). Tudo bem que uma boa defesa contra o jogo terrestre não chama tanto a atenção na NFL de hoje em dia, muito por conta da predominância crescente do jogo aéreo na liga. Mas ainda assim é um fator que precisa ser elogiado na partida contra o Bears. Austin Calitro e o recém chegado Mychal Kendricks, apesar de alguns erros pontuais, não comprometeram ao longo da partida. A esperança é de que, quando Wagner e Wright voltarem, a defesa possa dar um salto de qualidade.

PERDEDORES

> Linha defensiva e a ausência do pass rush

Se o jogo corrido e a secundária merecem alguns elogios, o pass rush da equipe voltou a ser um motivo de preocupação. A equipe conseguiu voltou a falhar em pressionar o QB adversário com uma maior consistência. Contra o Denver, Seattle conseguiu apenas um sack, com Frank Clark. Contra o Bears, o desempenho até melhorou, mas ainda fica bastante aquém do restante da liga. Foram dois sacks registrados: um com Frank Clark e outro com Mychal Kendricks. Principalmente no primeiro tempo, Trubisky teve uma certa tranquilidade para trabalhar dentro do pocket e poderia ter causado maiores estragos se não estivesse em um dia tão descalibrado. Frank Clark (que se tornará um free agent ao final da temporada) registrou ainda algumas pressões em cima de Trubisky, mas parece ser um lobo solitário no pass rush de Seattle. A esperança é que Rasheen Green, escolha de terceiro round do Seahawks em 2018, possa se desenvolver em uma opção válida. Mas, até agora, o calouro segue com atuações tímidas quanto ao pass rush.  

> O ataque (quase todo)

Se a defesa mereceu alguns elogios, o ataque foi a principal razão para o Seahawks ter perdido sua segunda partida em 2018. O time teve um desempenho completamente anêmico até o final do terceiro quarto da partida. Foram, 80 (OITENTA!!!) jardas totais nos três primeiros períodos da partida, com cinco three and outs, 2/10 em situações de terceira descida e uma média assustadoramente baixa de 2,4 jardas por jogada.

O ataque até melhorou no último quarto, uma situação completamente comum na carreira do Russell Wilson. O ataque mais do que dobrou sua produção em jardas (foram 196 apenas no último período), mas boa parte dessa produção veio também quando o jogo já estava definido, principalmente na campanha que resultou no touchdown de Will Dissly.  Mas, num jogo em que Seattle precisa ainda mais de seu QB, Wilson teve uma de suas piores atuações na NFL. Após segurar o ataque do Bears e finalmente ter uma oportunidade para assumir a dianteira no placar, Wilson teve dois péssimos drives. O primeiro terminou numa interceptação de um passe intencionado para Rashaad Penny (mais sobre essa jogada no próximo tópico) e que foi retornado para touchdown por Prince Amukamara. Foi apenas a segunda pick six lançada por Russell Wilson em sua carreira na NFL, sendo a primeira desde a sua temporada de calouro. No drive seguinte, Russell Wilson se viu novamente pressionado e precisou sair do pocket, partindo para um scramble. No entanto, se precipitou numa tentativa de passe e, antes que a bola saísse de suas mãos, sofreu um sack de Danny Travethan que resultou em um fumble. Numa temporada em que muito se espera dele, o desempenho do Russell Wilson está bem aquém do que ele pode desempenhar. Scrambles em direção ao sack, hesitação em lançar a bola para fora. Tudo isso está atrapalhando o funcionamento do ataque do Seahawks nessa temporada.

É preciso reconhecer as falhas do camisa 3, mas a culpa, no entanto, não pode cair só nos ombros do QB. Os recebedores do Seahawks, em grande parte da partida, não conseguiram nenhum tipo de separação de seus marcadores, o que só forçava Wilson a segurar mais a bola e ser ainda mais pressionado pela forte linha defensiva do Bears de Khalil Mack, Akiem Hicks e companhia. E, mais uma vez, a linha ofensiva foi um fator crucial para o péssimo desempenho da equipe. Além de não proteger seu quarterback (foram seis sacks em toda a partida), ela também não fez um bom trabalho no para que o jogo terrestre funcionasse. Em toda a partida, foram apenas 57 jardas em 19 carregadas dos running backs (Russell Wilson teve três carregadas para 17 jardas). Juntamente com os seis sacks da partida contra o Denver, Russell Wilson se tornou o quarterback mais sacado da NFL nesta temporada. De acordo com o ESPN Stats and Info, o camisa 3 foi o primeiro QB desde Joey Harrington, titular do Atlanta Falcons em 2007, a ser sacado pelo menos seis vezes em cada uma das duas primeiras partidas de sua equipe na temporada.

No ataque, eu gostaria de colocar duas exceções. Lockett teve uma atuação razoável e bastante mérito no primeiro TD do Seahawks. Após ter seu contrato renovado antes do início da temporada, Lockett precisa demonstrar mais consistência para provar ser um merecedor do contrato. O início de 2018, no entanto, parece uma boa perspectiva para isso. Outro que merece uma menção honrosa é o tight end Will Dissly que, garbage time a parte, mostrou que pode ser uma arma interessante para o futuro da franquia.

> Brian Schottenheimer, Pete Carroll e as decisões tomadas no ataque

Nas entrevistas antes da partida, Pete Carroll e o coordenador ofensivo Brian Schottenheimer foram bastante claros sobre um dos principais desejos da equipe para o duelo contra o Bears: estabelecer o jogo corrido. Poi bem. A maneira que Seattle encontrou de estabelecer o jogo corrido foi não chamar nenhuma corrida entre 8:11 do segundo quarto e 14:15 do último quarto. Isso mesmo que você leu. Em um jogo com apenas 7 pontos de diferença entre as duas equipes e com seu quarterback sendo completamente pressionado, o Seahawks simplesmente decidiu abandonar por completo o seu jogo terrestre. Logo após a partida, Pete Carroll assumiu a culpa pela decisão e afirmou que havia pedido a Schottenheimer para arriscar alguns passes longos e tentar abrir um pouco a defesa adversária.

O planejamento da comissão técnica para a partida foi um completo desastre. E as tomadas de decisões e as chamadas ao longo da partida só aumentaram esse desastre. Um exemplo foi a utilização de Chris Carson. Não que ele estivesse fazendo uma boa partida, mas o running back teve apenas seis tentativas de corrida e foi praticamente ignorado no segundo tempo em Chicago. Perguntado sobre o motivo de não ter utilizado Carson, Carroll afirmou que o jogador “se cansou depois de ter que jogar mais nos time de especialistas por conta da ausência de alguns jogadores” e que optou por Rashaad Penny para ter um jogador menos desgastado e ajudar no desenvolvimento da escolha de primeira rodada da equipe em 2018. No entanto, o “snap count” da partida desmente a declaração de Carroll. Chris Carson teve apenas dois snaps nos times de especialistas, um número menor do que os seis snaps no duelo contra o Broncos.

Outro exemplo da confusão em que comissão técnica se envolveu ao longo da partida foi no gerenciamento dos tempos. No terceiro quarto, após alinhar com menos de 10 segundos no relógio e foram obrigados a queimar um pedido de tempo que podia ter ajudado demais o ataque numa tentativa de virar o placar no último quarto. E a escolha por queimar esse pedido de tempo foi ainda mais estranha considerando que um delay of game teria custado apenas duas jardas de penalidade. E no último quarto, aos 7:20, Seattle pediu novamente um tempo por não gostar de como a defesa o Bears estava posicionada e para planejar melhor o drive. E a criatividade de Schottenheimer resultou numa corrida de 1 jarda do Rashaad Penny e na interceptação do Russell Wilson em um passe direcionado para o próprio Penny, que estava alinhado como um recebedor no lado esquerdo do ataque. Por mais terrível que tenha sido o passe o Wilson, a própria chamada em si já merece ser um alvo de críticas.

A saída do antigo coordenador ofensivo, Darrell Bevell, era um funcionamento de seu ataque. Mas a chegada de Schottenheimer, até o momento, parece ter causado uma regressão no desempenho ofensivo da equipe. Chamadas sem criatividade, desequilíbrio entre as chamadas de corrida e de passe tem sido uma tônica nesse começo da era Schottenheimer. E podem se tornar um dos exemplos do porquê seu trabalho era tão criticado no Los Angeles Rams e New York Jets. Mas também é preciso questionar qual a autonomia que o atual coordenador ofensivo possui diante de Pete Carroll para comandar o ataque de Seattle. Carroll ainda parece querer ver com o modo antigo, apostando fortemente na defesa e contando com um jogo conservador do ataque. O momento atual, no entanto, está longe dessa situação. Resta saber se Carroll irá aceitar isso e desenvolver um plano, junto com Schottenheimer, que permita que seu ataque faça o que tem de melhor, ou se irá morrer abraçado com sua filosofia de jogo. O fato é que seu trabalho a ganhar maiores críticas em Seattle.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: