Em Seattle é diferente – Pós-Jogo Semana 3

Foto: Gabriel Ambrós, 12ThManBrasil

Field Advantage. O termo em inglês usado pelos norte-americanos para representar a vantagem do mando de campo está intrínseco na cultura esportiva de Seattle. Tão importante como o talento dos jogadores, o barulho causado no CenturyLink Field gera uma força diferente ao Seahawks.

O resultado do fenômeno, junto à melhorias técnicas, foi a primeira vitória da temporada, no último domingo (23), contra o Dallas Cowboys, por 24 a 13, pela semana 3, no primeiro jogo em casa da equipe.

 

Após muito acompanhar pela televisão, eu estive no estádio no último domingo para acompanhar o jogo in loco e sentir a atmosfera existente em Seattle. Ao longo do texto dessa semana, além da análise, também tentarei trazer um pouco da experiência de assistir um jogo de NFL ao vivo.


Voltando ao jogo em si, o Seahawks precisava vencer a partida, após duas duras derrotas fora de casa, para evitar o pior início de temporada sob o comando de Pete Carroll, além de se manter na briga por uma vaga nos playoffs.

Apesar de não enfrentar um favorito para vaga na pós-temporada, a missão contra Dallas tinha tudo para ser difícil, dependendo primariamente de dois aspectos: o jogo corrido dos Cowboys, com a ameaça do running back Ezequiel Elliot e a sua defesa, com foco para o pass rusher DeMarcus Lawrence.

 

Com poucos espaços para errar, a partida mostrou um time mais concentrado e capaz de tomar as decisões corretas. Contando com a mesma agressividade da secundária, em mais um show de Earl Thomas, que já soma três interceptações, Seattle teve, enfim, um ataque organizado, com corridas eficientes de Chris Carson e um pouco mais de tempo e opções para Russell Wilson passar a bola.

 

As melhores condições auxiliaram para que o número 3 fizesse seu melhor jogo na temporada até agora, com 192 jardas lançadas para 2 touchdows, 61,5% de precisão e um rating de 109,8.

 

Outro marco positivo da partida foi o pass rush. Quase nulo nos primeiros jogos, a linha defensiva finalmente conseguiu pressionar o quarterback, sackando Dak Prescott cinco vezes.

 

Em dia inspirado de Franck Clark, que conseguiu um sack em cada uma das três semanas, a pressão no QB foi um combustível essencial para incendiar a torcida no CenturyLink Field, criando um ambiente ainda mais positivo para o time e intimidador para o adversário.

 

Vencendo a batalha de turnovers e com melhor marcas de jardas ofensivas e cedidas pela defesa, o Seattle Seahawks finalmente teve um pouco de paz e avançou para 1-2 na temporada.

 

 

 

 

 

Foto: Gabriel Ambrós, 12ThManBrasil

 

 

 

Gênio

 

Após toda a turbulência na intertemporada, a situação contratual do safety Earl Thomas segue indefinida e a novela da renovação, ou não, continha com massantes capítulos. Apesar de todos os problemas extra-campo e da antipatia que parte da torcida está começando a criar pelo camisa 29, é impossível fugir do óbvio: Earl Thomas III é um monstro.

 

Após faltar a dois treinos no decorrer da semana, o All-Pro de 29 anos protagonizou mais um show no campo, com duas interceptações, uma cobertura impecável e uma marra inevitável.

 

Depois de jogar como em seus melhores anos nestas primeiras três semanas, fica claro que Thomas segue sendo provavelmente o melhor Free Safety da liga e precisa ter sua situação definida o mais rápido possível.

 

 

 

 

 

 

Foto: Gabriel Ambrós, 12ThManBrasil

O que a TV não mostra

 

Acostumado a acompanhar o jogo pela TV, a experiência no estádio é amplamente diferente, assim como em qualquer outro esporte. O mais interessante, além de sentir o clima da torcida e os gritos de SEA, HAWKS, SEA, HAWKS, era observar o comportamento dos jogadores e torcedores nas pausas para comercial e no pré-jogo.

 

A iteração é mais presente do que imaginava. No aquecimento, os torcedores mais empolgados podem ir até as primeiras fileiras e observar de bem perto o trabalho realizado pelos atletas e até conseguir uma foto ou autógrafo.

 

Durante a partida, o comportamento nas pausas está diretamente ligado ao momentum da partida. Após um sack em Prescott por exemplo, a defesa de Seattle seguiu alinhada e encarando o Cowboys, enquanto alguns mais empolgados, como Clark, dançavam com os raps tocados nos alto-falantes.

 

O que ocorre nesses intervalos não deixa de ser um jogo mental. Após uma big play, os jogadores tentam provocar e intimidar os adversários para que, na volta, consigam ser ainda mais dominantes. Só os capitães das unidades que normalmente tomam tempo para se comunicar mais com o corpo técnico no período.

 

O que é também muito notável e colabora para a experiência da NFL são as constantes atrações e brincadeiras organizadas pelas equipes para esses intervalos. De jogos para os torcedores, a um encontro de uma militar com sua família após período na Coreia do Sul, os organizadores conseguiram preencher o espaço de mais de três horas com atrações variadas.

 

 

 

 

 

 

Texto de: Gabriel Ambrós

 

 

 

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