O sabor amargo da vitória – Pós-Jogo Semana 4

Como já não é novidade, a viagem anual para enfrentar o Cardinals em Arizona terminou com um bom resultado, acompanhado de diversos novos problemas.

Nos últimos dois anos, Seattle teve um empate desgastante no deserto, além de uma vitória que marcaria o último jogo de Richard Sherman e Kam Chancellor na franquia. No último domingo (30), foi hora de dar adeus para o último representante da Legion of Boom, Earl Thomas, que quebrou a perna esquerda e está fora da temporada e da organização.

O magro triunfo por 20-17, decretado no último segundo com um Field Goal de 52 jardas convertido por Janikowski, não apaga a sintomática leitura da partida: o Seattle Seahawks está no caminho errado.

E assim está, não por falta de talento ou personalidade de seus protagonistas, mas sim pela ineficiência de seu corpo diretivo em avaliar os problemas do roster e achar os melhores caminhos para solucioná-los.

Enquanto John Schneider não renovou nem trocou Earl Thomas, que protagonizou situações constrangedoras nestas quatro semanas, e agora simbolizará um imenso desfalque técnico, Pete Carroll empregou um coordenador ofensivo que parece ter prazer em desperdiçar o potencial de Russell Wilson.

Sob o comando de Brian Schotheimer, o número 3, em seu 100° jogo como titular, chegou à sua segunda partida com menos de 200 jardas passadas. No apertado embate contra Arizona, Russell Wilson só tentou um passe para mais de 15 jardas.

A mediocridade com que Schotheimer planeja as jogadas, faz parecer que ele parou no tempo com os Jets de 200x e não percebeu que tem um dos melhores deep passers da liga ao seu lado.

A ideia de planejar um ataque com predominância de corridas e passes curtos na NFL de 2018 só faria sentido em dois cenários: caso você tivesse um quarterback rookie ou muito fraco. À parte disso, a tendência de toda a liga é aproveitar o talento de seus qbs para montar esquemas mais sofisticados baseados no passe, espalhando o máximo possível seus recebedores dentro do campo. Um ótimo exemplo disso, por exemplo, é o nosso rival de divisão, Los Angeles Rams.

A sorte do Seahawks no domingo é que enfrentava uma equipe muito fragilizada, ainda sendo comandada por um qb calouro. Sem uma defesa dominante, Arizona acabou por dar espaço para a ótima partida do RB Mike Davis que correu para 102 jardas e 2 touchdows, muito apoiado pelas boas atuações do LT Duane Brown e Guard J.R. Sweezy.

A fragilidade do adversário também fez com que Seattle saísse com a vitória mesmo com importantes baixas em sua defesa, tanto no pass rush, enfraquecido pelas ausências de Dion Jordan e Rasheen Green, como KJ Wright no corpo de linebackers e posteriormente Earl Thomas, na secundária.

Outra baixa física da partida aliás, foi o TE calouro Will Dissly, que havia se destacado nas duas primeiras semanas recebendo touchdowns, mas também ficará de fora da temporada após lesão no joelho.

A vitória colocou o Seahawks com 2-2 na temporada, um recorde extremamente compreensível considerando as intensas mudanças na offseason e somente uma partida em casa, o problema, porém, é a perspectiva perigosa que a equipe vendeu no final de semana.

Apesar de seus erros, Russell Wilson segue sendo um dos melhores qbs da NFL e o mais talentoso da história dessa franquia, não aproveitar todo o seu potencial e transformá-lo em um administrador de passes curtos, além de frustrante, poderá causar graves implicações para o futuro da equipe.

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