Uma derrota imperdoável – Pós-jogo Semana 15

O Seattle Seahawks protagonizou sua pior derrota na temporada, no último domingo (16), na Califórnia, para o San Francisco 49ers, na prorrogação, por 26 a 23. Em uma partida recheada de erros, a equipe comandada por Pete Carroll tropeçou onde não devia e viu seu recorde cair para 8-6 e a seed 5 para os playoffs na NFC ficar em possível risco.

Após a importante vitória contra o Minnesota Vikings no último MNF, o nosso pós-jogo já alertava para o perigo que residia no confronto contra os 49ers fora de casa. A equipe de Seattle, apesar da vitória tranquila no placar por 43 a 16, havia sofrido em alguns pontos no jogo da semana 13, e ainda por cima, San Francisco havia batido o decente Denver Broncos, jogando em Santa Clara, na rodada seguinte. Isso tudo somado a um Seahawks em semana curta e muito empolgado com a série de quatro vitórias seguidas, poderia gerar problemas.

E gerou. A defesa não passou perto do domínio apresentado no MNF, o ataque foi previsível e contou com chamadas pouco corajosas, para dizer o mínimo, e o special teams, para coroar, levou um touchdown em kickoff quando tudo parecia se encaminhar de forma mais tranquila. No fim, não foram só um ou dois fatores, uma ou duas jogadas ou jogadores que causaram a derrota, mas sim uma série de decisões infelizes e atuações abaixo do esperado de todos, técnicos e atletas.

O revés acabou se tornando o pior da temporada por enquanto pois é o único não aceitável. Se no início da temporada um time ainda inexperiente havia perdido confrontos duros contra Broncos e Bears fora, e posteriormente, já mais encorpado, saiu derrotado nos confrontos contra Los Angeles Rams e Chargers (equipes que já somam dois dígitos de vitória), não é ideal que uma equipe que já está quase garantida nos playoffs interrompa uma série invicta para um rival claramente inferior.

Quando superior, um time não pode dar brechas para que o adversário explore suas fraquezas e se equipare. Os 49ers conseguiram entender duas coisas que geram grandes problemas para Seattle – 3ªs descidas longas no ataque e play actions bem executados na defesa, e as explorou para vencer a partida.

Contra o ataque de Russell Wilson, a equipe da Califórnia conseguiu controlar o jogo corrido na maior parte da partida e, apesar de um jogo bem decente do QB (ainda mais considerando grama natural e chuva fora de casa, uma combinação onde Wilson vai mal), com 237 jardas, 74,2% de precisão, 2 touchdowns e um rating de 117.3, explorar a principal deficiência dessa unidade na temporada: o playcalling em 3ªs descidas longas. Se Brian Schottenheimer foi bem em reconstruir o ataque terrestre da equipe na temporada, ele vai bem mal chamando jogadas em momentos cruciais da partida. O jogo foi recheado de jogadas que pareciam desistências em situações que mereceriam um pouco mais de ousadia. O principal dos casos foi a chamada em uma 3ª para 15, no campo de defesa, na prorrogação. Claro que a situação exige cuidado para não gerar um turnover, mas o passe curto de duas jardas para o running back beira a covardia nesse momento do confronto.

No estado atual das coisas, fica claro que ao brecar o jogo corrido de Seattle, mesmo com um QB de elite, o plano ofensivo é desmantelado. A única partida onde a equipe produziu bem mesmo sem correr bem foi na vitória contra o Carolina Panthers, onde Wilson teve várias chamadas em profundidade no 4º período para garantir o resultado. Pareceu ter faltado um pouco de coragem para fazer isso no último domingo.

Já na defesa, Seattle sofreu no play action do QB Nick Mullens. O QB dos 49ers foi 10/10 para 162 das suas 275 jardas na partida em chamadas do tipo, com destaque mais uma vez para o WR Dante Pettis, que somou 83 jardas de recepção.

 

O jogo

A partida começou bem para Seattle com os Seahawks abrindo o placar em conexão de Wilson com o WR Doug Baldwin, e posteriormente com XP errado por Janikowski. Na sequência, os 49ers conseguiram retornar o kickoff para touchdown na frente do placar. Daí para frente, não teve nenhum momento tranquilo para o time de Pete Carroll, que passou praticamente toda a partida atrás do placar.

As coisas pareciam melhorar um pouco quando Seattle reduziu a vantagem adversária no placar para 14 a 13, em novo touchdown de Doug Baldwin, desta vez, na provável melhor jogada do recebedor na temporada. Inativo no MNF, o camisa 89 terminou o jogo com 77 jardas e os dois TD recebidos. Seattle ainda entrou mais uma vez na endzone com Chris Carson, que também fez boa partida, apesar da maior dificuldade nos bloqueios, e terminou com 119 jardas e um TD.

Com o empate em 23 a 23 no placar, Seattle disputou sua primeira prorrogação na temporada e acabou saindo derrotado pela primeira vez no Levis Stadium, encerrando também uma sequência de dez vitórias contra os 49ers. Após campanha inofensiva do ataque de Seattle, o time mandante recebeu a bola e conseguiu avançar no campo para chutar o field goal da vitória.

 

Próximo desafio

Com 8-6 agora na temporada, Seattle terá um duro desafio na semana 16. Jogando no CenturyLink Field, a equipe receberá o Kansas City Chiefs (11-3), no SNF (23:15 horário de Brasília). Uma vitória confirmará a equipe nos playoffs e deixará a seed 5 também próxima. Já em caso de derrota, as coisas podem começar a desandar. Mesmo que ainda próximo da pós-temporada, um revés contra os Chiefs pode fazer os Vikings ultrapassar os Seahawks.

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