Não existe futuro em uma filosofia ultrapassada

O ano de 2018 foi um dos anos com menores expectativas desde que Carroll chegou a Seattle, talvez só perca para seu primeiro ano com a franquia. Apesar disso, claramente Seattle mostrou ter muito potencial e nesse texto, não quero poupar ninguém da culpa.

 

Carroll:

Pete Carroll claramente é um excelente coach, o melhor que já tivemos e isso se reflete na expectativa da temporada de “rebuild” para uma temporada de playoffs. O grande ponto no entanto, é que esse cara vive no passado. Carroll tem a filosofia de que um time campeão é um time que corre bem com a bola, mas me permita dar um pitaco, nem ele entende sua própria filosofia.

Explico-lhes, correr bem não significa necessariamente correr sempre, nem tão pouco ser o melhor em jogo terrestre, mas ter eficiência de abrir defesas e criar ameaças em todas as frentes, e… não é isso o que acontece em Seattle. Lembro-me de sempre citar isso com meu camarada Jeff nos podcasts, os Chargers simplesmente riram da nossa cara, na nossa casa, por que já sabiam de antemão que iriamos correr em toda primeira descida.

Carroll obviamente resgatou a defesa em cacos e a fez eficaz e conseguiu “empurrar com a barriga” os problemas que ela tinha, já que era impossível solucionar todos, mas a realidade caro 12th man brasileiro é que no fundo quem saiu falando muito tinha sua ponta de razão. Carroll parou no tempo a ponto de ser “outchoached” por Jason Garrett e isso é rotineiro, Carroll não é mais uma atualidade, é ultrapassado, outchoached por quase todos os técnicos na NFL e sinceramente, atrevo-me a dizer, um covarde.

A grande diferença entre um técnico campeão como Bill Belichik é que eles querem tanto vencer, que estão dispostos a se adaptar e criar meios para tal, Carroll não, quer apenas estar certo.

 

Brian Schottheimer:

Asssim como seu pai é um grande ineficiente. Não sei a porcentagem de sua culpa em um playbook para lá de retrogrado, atrasado e sempre fácil de se prever, pois acredite, tem sim dedo do seu Head Coach nas escolhas. Mas chegamos ao ponto que dividimos os homens dos meninos, dos que se impõe e querem vencer mais do que apenas ficar na sombra de alguém e Brian é apenas um fantoche na sideline que não consegue variações simples de jogadas.

Correr três vezes em quatro tentativas, esperar sempre que seu QB resolva suas “cagadas” é mais do que incompetência, é covardia e Russell Wilson não merece ser treinado por covardes.

Lhes deixo uma questão, após um ano de Schottheimer e ver que o playbook é o mesmo ou até pior, o quanto Darrell Bevell tem de culpa de todos os erros do passado? O quanto não foi “segurado” pelo freio de mão que é Pete Carroll?

 

Russell Wilson:

Sim, sei que boa parte ao iniciar este parágrafo se escandalizará, mas quero levar-lhes a refletir em um ponto.

Desde que entrou na NFL, Wilson é o ponto de “salvação” da boa parte do ataque que existia em Seattle, mas minha critica é quanto a sua passividade. Faço um desafio, qual foi a vez que vocês viram Wilson reclamando das chamadas? Indo até sua linha ofensiva e dando uma prensa em alguém? Mudando as jogadas por si mesmo e botando para fora o que tem de errado? Quase não consigo acreditar que esse é o mesmo cara que diz “No fim do dia eu quero ser lembrado como o maior vencedor de todos os tempos”. Essa é a diferença de Rodgers, Brady e tantos outros que passaram pela NFL, eles cobram seus companheiros, eles reclamam das chamadas, chamam a responsabilidade e tem coragem de se expor para o bem de suas carreiras e pelo futuro da franquia, Wilson é apenas passivo e assiste o mundo cair ao seu redor e continua inerte.

Ele é o maior de todos os tempo em Seattle em sua posição, ele tem o segundo maior rating da historia da NFL, tem records por todos os lados, mas no fim da carreira, se não mudar de postura, será lembrado apenas como o QB que tinha ótimos ratings e records, mas venceu um Super Bowl por causa de sua forte defesa e de seu jogo terrestre, talvez por isso ainda não tenha ganhado um premio de MVP.

 

Frank Clark:

Temporada monstruosa e adora assistir esse rapaz dentro de campo. Para os que não sabem, quando chegou via draft fiquei demasiadamente temeroso. Parecia mais um jovem problemático que tinha um rumor de incidente de violência doméstica. Me preocupava demais isso tudo.

Cresceu, saiu da sombra de Cliff Avrill e Michael Bennett e agora alça seus próprios voos. Sem duvida vive grande momento e tem bons números, mas me permita ser mais uma vez um pouco crítico? Ele some nos momentos mais importantes, em vários jogos foi irregular e viveu de altos e baixos. Quero ele em Seattle, mas minha critica é apenas uma, valerá os possíveis U$20M ?

 

Shaquill Griffin:

Shaquill era um dos bons nomes de corners de sua classe, chegou em Seattle e jogou de oposto a Sherman, obviamente seria um alvo e tanto para os QBs, mas ele foi seguro durante toda aquela temporada desastrosa, porém, no meio do caminho algo aconteceu e em 2018 ele simplesmente foi o calcanhar de aquiles dessa unidade. Sim, ele foi o elo fraco da corrente que por boa parte do ano teve o desastroso Tedric Thompson.

Desajeitado (alô Evandro), atrasado, pesado (para não dizer gordo), foi obliterado pelo fraquíssimo Dak Prescott e o que pensávamos ser um substituto decente de Sherman, pode ser mais um buraco na offseason para ser tapado, pois esse Shaquill, é a pior coisa que podemos ter de LCB.

 

John Schneider:

É quase sempre difícil criticar o Schneider, nesse último ano foi excelente no draft se eliminarmos a escolha do Rashaad Penny, na qual ouso palpitar que eles estavam muito confiantes que poderia escolher o Darwin James, mas foram dilacerados pelo Chargers. Mas não é desculpa, escolha ruim que pode vir a ter seu impacto no futuro. Mas ao olharmos para um draft com Rasheem Green, que tem grande potencial, Jacob Martin que teve muitos bons momentos, Michael Dickson punter All-Pro, Tre Flowers escolha de 5ª rodada titular absuluto e ano passado Chris Carson e David Moore em rounds altos de draft, vemos que ele não perdeu seu toque “mágico”.

Mas nem tudo são “Flowers”. Com perdão do trocadilho, boa parte do momento em que estamos é devido a sua falta de pulso firme e previsibilidade de mercado. Escolhas de jogadores muito questionáveis em suas primeiras escolhas de draft, um jogador no qual se quer jogou pela franquia, contratos que devoram o Cap por jogadores que se quer estão no time, ou como no caso do Chancellor, aposentados. Coaching Staff muito mal montado, principalmente em posições chave como Coordenador ofensivo e QB coach.

Minha grande birra com Schneider passa por sua falta de visão de mercado. A 3 anos atrás na free agency, Seattle teve a oportunidade de ter Donald Penn por U$11M, um LT de elite, teve a oportunidade de pagar 6/7M por guards top-tier da NFL e não o fez, resultado? Desesperado pagou uma escolha de terceira rodada em 2018 e uma de segunda rodada em 2019 para ter Duane Brown, o que foi um acerto, acredite. Mas a falta de visão de sua parte administrativa foi o que ocasionou tal necessidade e ficamos estagnados no mercado em 2018 sem cap e estaremos quase inertes no draft de 2019 com 5 escolhas, free agency? Provavelmente só renovaremos com o que temos de melhor e é isso.

Linha Ofensiva:

Duane Brown é líder e tem feito seu papel, não vou nomear tudo o que há de errado aqui, pois considero que a negligencia e os péssimos anos de coach de Tom Cable um fator primordial para essa unidade ser tão porosa. Mas um time com ambições de campeonato, não pode ter em sua formação Germain Ifedi e JR Sweezy. Ambos foram bem, Solari tirou “leite de pedra”, mas é isso, quando se enfrenta um time com tanto poder no front-seven, uma linha com apenas um jogador realmente bom, para não dizer All-pro, não vai ter grandes conquistas.

Solari e Brown são aqui meu elogio do dia, acho que o OL coach deu novo panorama, mudou a linha de patamar e com o material humano disponível conseguiu entregar o que lhe foi proposto.

Brown com a sua liderança não deixou a peteca cair e fez suas cobranças, as mesmas que eu cobro do nosso QB. A mesma mão de Duane que batia e dizia “Ei, acorda cara, você tem que prestar atenção ou vai comprometer nosso jogo” era a mão que dizia “Levanta a cabeça, você pode segurar ele, vamos de novo, dessa vez vamos conseguir”, o nome disso? Liderança e eu o admiro em extremo.

Aliás, uma nota pessoal, eu comecei a amar essa franquia por causa de um Left Tackle, Walter Jones, sua liderança dentro de campo e seu jogo extremamente perfeito, foram meu motivador chave para amar Seattle, como hoje vejo em Brown.

 

Linha defensiva:

Não posso cobrar a não ser pedir mais consistência. O material humano é escarço e quase sempre, para não dizer sempre dependente de Clark e Reed, que tiveram temporadas excelentes. Fora os dois, pontualmente Jacob Martin apareceu, mas foi apenas isso.

 

Linebackers:

Isentos de qualquer culpa, as lesões sequentes de KJ Wright colocam em cheque se ele permanecerá na próxima janela e é nessa unidade que hoje temos o melhor jogador defensivo da franquia e o melhor que tivemos mesmo durante o período da LOB. Wagner merece uma estatua tanto quanto Wilson por ser colocado em tal posição desfavorável à sua carreira. Jogar com Austin Calitro, me perdoem, mas é uma humilhação a um jogador que entrega tanto.

Secundária:

Foi completamente desmontada. Não bastava a perda de Chancellor e a saída de Sherman, Thomas com problemas contratuais se machuca e deixa um grande vazio. Quem viu a poderosa secundária de Seattle a alguns anos, dominando qualquer QB elite que pegavam, tem de se contentar com Tedric Thompson e Shaquill Griffin, no qual já me ative a falar.

O ponto forte da unidade foi Bradley McDougald e Tre Flowers, ambos tiveram temporadas dignas de Pro Bowl, apesar de não serem chamados. Acredito que a fixação das outras duas posições seria de grande valias para os dois e para todo o time, pois eles foram pontos chave em 2018.

Recebedores:

Tenho pouco a dizer, Baldwin é o que é, Lockett fez chover e os outros foram irrelevantes, deixando expectativas apenas em Will Dislly que se machucou cedo na temporada. Moore pode crescer, mas não acho que consiga ir muito além do que vimos e Jaron Brown e Ed Dickson são meus alvos para cortes nessa offseason, salvando mais de U$6M que pode ser boa quantia para renovação e contratação.

Running Backs:

Fizeram o que puderam, Carson foi um monstro durante a temporada, mas fica claro que em um jogo com tanto poder defensivo e sua linha muito frágil, é inerte para criar por si só muita coisa. Penny e Davis foram bem, apesar de Penny sempre carregar o fardo de ser escolha de primeira rodada.

Nossos RBs junto com Wilson, são os primeiros quatro jogadores de uma mesma franquia na história da NFL a correr mais de 300 jardas cada um, mas convenhamos, preferiríamos um jogo aéreo de 4000 jardas e nosso RB1 com 1000 jardas e uma vaga no SB.

 

Parecer final:

A temporada em verdade foi bem acima do que esperávamos, sendo muito sincero. Mesmo em seu palpite otimista de 10-6 no nosso Site, Jeff deixou claro que poderia muito bem ser uma temporada com record pior.

Quando olho para o futuro de Seattle, como um verdadeiro contender a vencer o Super Bowl, não vejo esse futuro passando pelas mãos de Pete Carroll, a não ser que abra mão de sua filosofia e coloque um OC que possa fazer esse ataque fluir, vejo o futuro em um QB brilhante que ainda tem mais 10 anos de NFL, um dos melhores MLBs da historia da liga, de uma dupla de pass-rushers extremamente nova, uma secundaria com dois jogadores muito promissores, RBs muito promissores e um OL coach que com mais material e tendo seu pilar central em um LT de elite, pode fazer com que tudo se encaixe.

O futuro em Seattle existe e está diante de nosso olhos, a grande questão é se essa oportunidade será bem utilizada ou mais uma vez vamos ser ludibriados por um coach staff com pensamento retrogrado?

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